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  • Mercado financeiro projeta queda de 5,62% na economia este ano

    Para 2021, a expectativa é de crescimento de 3,50%; Em 2022 e 2023, o mercado continua a projetar expansão de 2,50% do PIB. Revista Imagem - Publicado em 10/08/2020 11:57 A previsão do mercado financeiro para a queda da economia brasileira este ano foi ajustada de 5,66%25 para 5,62%. A estimativa de recuo do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – está no boletim Focus, publicação divulgada todas as semanas pelo Banco Central (BC), com a projeção para os principais indicadores econômicos. Para o próximo ano, a expectativa é de crescimento de 3,50%, a mesma previsão há 11 semanas consecutivas. Em 2022 e 2023, o mercado financeiro continua a projetar expansão de 2,50% do PIB. Inflação As instituições financeiras consultadas pelo BC mantiveram a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 1,63%, neste ano. Para 2021, a estimativa de inflação permanece em 3%, há oito semanas consecutivas. A previsão para 2022 e 2023 também não teve alteração: 3,50% e 3,25%, respectivamente. A projeção para 2020 está abaixo do piso da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4% em 2020, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,5% e o superior, 5,5%. Para 2021, a meta é 3,75%, para 2022, 3,50%, e para 2023, 3,25%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, em cada ano. Selic Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 2% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para o mercado financeiro, a expectativa é que a Selic encerre 2020 em 2% ao ano. Para o fim de 2021, a expectativa é que a taxa básica chegue a 3% ao ano. Para o fim de 2022, a previsão é 4,9% ao ano e para o final de 2023, 6% ao ano. Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica. Entretanto, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Dólar A previsão para a cotação do dólar permanece em R$ 5,20, ao final deste ano. Para o fim de 2021, a expectativa é que a moeda americana fique em R$ 5. Por Kelly Oliveira

  • Entenda como é feita a média móvel de casos de covid-19

    O resultado desse cálculo é uma leitura que leva em conta a influência de todos os dias da semana e pode ser atualizada diariamente Revista Imagem - Publicado em 10/08/2020 11:52 No dia 1º de agosto, o estado do Rio de Janeiro registrou 1.718 novos casos de covid-19. Já no dia 2, o número de novas infecções caiu para 12. Quem olhasse esses dados isoladamente poderia comemorar que a transmissão da doença teve enorme queda. Dias depois, porém, viria um susto: o boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde no dia 5 trouxe 3,7 mil novos casos. A oscilação nos registros de novos casos se repete semanalmente, explica o pesquisador Americo Cunha, professor do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e integrante da equipe que alimenta o portal Covid-19: Observatório Fluminense. O dia 2 de agosto, com 12 novos casos, foi um domingo, assim como o dia 26 de julho, que teve 32 casos, e o dia 12 de julho, que teve apenas nove. Já o dia 5 de agosto, com 3,7 mil, foi uma quarta-feira, mesmo dia da semana que o dia 29 de julho, quando mais de 2 mil casos foram confirmados. Como saber, então, a velocidade com que a doença está avançando? Para conseguir entender a tendência da pandemia além dessas oscilações entre dias de semana e fins de semana, os pesquisadores calculam a média móvel de casos. Em vez de contabilizar apenas os casos registrados nas últimas 24 horas, essa forma de análise soma os dados mais recentes com os dos seis dias anteriores, dividindo o resultado por sete. O resultado desse cálculo é uma leitura que leva em conta a influência de todos os dias da semana e pode ser atualizada diariamente, evitando análises precipitadas como a de que a pandemia pode ter freado num domingo e acelerado em uma terça-feira. Ao considerar sempre todos os dias da semana, a média móvel de casos em sete dias pondera o represamento de notificações que ocorre nos fins de semana. "A irregularidade no processo de aquisição desses dados faz com que eles sejam muito oscilatórios, que eles desçam todo fim de semana e subam todo início de semana, independentemente se você está tendo queda ou não no número total de casos", explica o pesquisador Americo Cunha. "A média móvel vem para suavizar isso e remover essa tendência de oscilação que atrapalha na análise. É uma ferramenta que consegue filtrar os dados para dar uma melhor visão do comportamento de tendência". A queda de registros nos fins de semana tem a ver com a redução de pessoal disponível para preenchê-los, seja por redução de equipes ou por fechamento de unidades de saúde ou setores responsáveis por informar os dados às autoridades sanitárias. Esses profissionais retornam na segunda-feira e atualizam as planilhas, não apenas com os casos daquele dia, mas com os que aguardavam para serem preenchidos. Cunha aconselha que os cidadãos interessados em acompanhar os dados sobre a pandemia devem prestar atenção principalmente na média móvel do número de novas mortes. "O número de mortes é sempre mais confiável, porque a subnotificação das mortes é consideravelmente menor. A média móvel do número de mortes é o indicador mais confiável", recomenda o pesquisador, que explica que, mesmo com atraso, o número de mortes da doença tende a ser conhecido. "Exceto um indigente ou uma morte violenta, toda morte vai ser registrada em algum momento pela família ou pelas autoridades. Em algum momento, pode ser em dois dias ou em 90 dias, você vai saber todas as mortes que ocorreram em um dia e, pelo menos, a causa nominal delas [a que foi registrada]", explica ele, que compara: "Com relação ao número de casos, por outro lado, tem muita gente que teve a doença, não sabe que teve e nunca vai saber, porque você não vai fazer testes retroativos em massa na população para saber todos os casos que aconteceram." O pesquisador alerta, no entanto, que os dados em nível nacional não são a melhor forma de entender se o momento é o de flexibilizar os cuidados ou endurecê-los. "Não tem uma epidemia no Brasil, mas centenas de epidemias em paralelo. Talvez milhares", destaca. "Aquela média nacional não é representativa de todos os lugares, é só um compilado das realidades locais. Você tem que se preocupar muito mais com a curva da sua cidade e do seu estado do que com a curva do Brasil". Epidemiologista do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, Diego Xavier faz parte da equipe que elabora a plataforma Monitora Covid-19, que disponibiliza dados e análises para a população. Ele destaca que a média móvel é um indicador importante por ser de fácil entendimento e permitir a divulgação diária dos dados, mantendo a população mobilizada em relação às medidas de prevenção. "Não basta ter um modelo estatístico sofisticado se você não consegue comunicar os efeitos dele", afirma. "A população precisa saber de forma dinâmica o que está acontecendo, senão a gente não consegue mobilizar para tomar os cuidados devidos. É o dado que vai impulsionar esse discurso. Se a gente não tem o dado, como vamos comunicar à população sobre o tamanho do problema?" Xavier lamenta, que mesmo diante das informações disponíveis, muitas pessoas desacreditem da importância da prevenção. "No começo da pandemia havia uma sensibilização maior da população. Se formos lembrar de Brumadinho, hoje estamos tendo quatro, cinco Brumadinhos, às vezes, por dia, e isso não está mais chocando as pessoas. As pessoas estão cansadas", lembra ele, citando a tragédia que deixou mais de 250 mortos no ano passado após o rompimento de uma barragem no município mineiro. O pesquisador sugere que uma boa forma de avaliar a evolução da pandemia é comparar a média móvel de novas mortes em sete dias com o mesmo dado de 14 dias antes para considerar o tempo médio de incubação da doença. Por exemplo: a média de novos óbitos calculada entre 06/08, 05/08, 04/08, 03/08, 02/08, 01/08 e 31/07 comparada com a média de casos obtida com a soma dos dias 23/07, 22/07, 21/07, 20/07, 19/07, 18/07 e 17/07, dividida por sete. "Tudo o que a gente faz hoje demora até 14 dias para ter um resultado. Se fizer um lockdown hoje, daqui a 14 dias, em média, vai começar a haver uma redução de casos." Por Vinícius Lisboa

  • PF prende Moisés de Oliveira; ex-diretor da ALE de Rondônia estava foragido

    Tio do deputado Jean Oliveira foi condenado juntamente com o pai do parlamentar por desvios de verbas na Assembleia de Rondônia Revista Imagem - Publicado em 10/08/2020 11:38 A Polícia Federal prendeu o ex-diretor financeiro da Assembleia Legislativa de Rondônia, Moisés de Oliveira. A prisão aconteceu neste domingo (9), em Brasília. Moisés é irmão do ex-presidente da Assembleia Legislativa Carlão de Oliveira, também considerado foragido da justiça. Carlão por sua vez é pai do atual deputado Jean Oliveira. Professor Moisés era considerado foragido da justiça e possuía contra si, seis mandados de prisão em aberto, cujas condenações proferidas pela Justiça Estadual de Rondônia chegam a 26 anos de prisão. Ele foi investigado na operação “Dominó”, deflagrada pela Policia Federal em 04 de agosto de 2006 e que teve como objetivo desarticular organização criminosa responsável por desviar recursos e fraudar procedimentos licitatórios de órgãos públicos estaduais, dentre eles a Assembleia Legislativa. Após a prisão, o detido foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde aguarda definição da Justiça Estadual de Rondônia para o traslado à unidade prisional onde deverá cumprir sua pena em regime inicialmente fechado. Por Montezuma Cruz

  • Homem morre ao cair de moto no Jardim Bandeirantes em Vilhena

    A equipe médica que atendeu a ocorrência acredita que Adilson tenha sofrido um infarto Revista Imagem - Publicado em 10/08/2020 10:27 Adilson Alves de Oliveira, 49 anos, morreu na madrugada desde domingo (9) ao cair de moto na Rua 7.501 no bairro Jardim Bandeirantes, em Vilhena. O motociclista pilotava uma Honda CG 125 Fan de cor preta, quando perdeu o controle da direção e caiu. Moradores acionaram o Corpo de Bombeiros Militares que foi ao local e encaminhou a vítima ao pronto-socorro do Hospital Regional, onde acabou vindo a óbito. A equipe médica que atendeu a ocorrência acredita que Adilson tenha sofrido um infarto. Da Redação

  • Governo de Rondônia apresenta plano de retomada do turismo

    Faz parte do Plano o lançamento do livro “Rondônia tem tudo”, com tiragem de dois mil exemplares destinados a hotéis e agências Revista Imagem - Publicado em 10/08/2020 10:22 A partir desta segunda-feira (10) até a próxima quinta-feira (13), o Governo de Rondônia lançará em cidades do interior o Plano de Retomada ao Turismo, com a grife: “Quando tudo passar, descubra Rondônia”. Para divulgá-lo, a Superintendência Estadual de Turismo (Setur) se reunirá com autoridades e agentes dos municípios de Cacoal, Ouro Preto e Machadinho d’Oeste. Faz parte do Plano o lançamento do livro “Rondônia tem tudo”, com tiragem de dois mil exemplares destinados a hotéis e agências de turismo estaduais. A Setur recomendou a todos o respeito aos protocolos dos decretos estadual e municipal, com determinações para manter o distanciamento social no controle de prevenção ao novo coronavírus. Pediu também aos prefeitos, secretários municipais de turismo e conselheiros,para que mobilizem os envolvidos. A Associação Comercial e a Câmara de Dirigentes foram diretamente convidados. A promoção do turismo de maneira regionalizada e descentralizada é uma das metas da Setur ainda neste 2020. Nos encontros, o Governo de Rondônia lançará também o selo Turismo Responsável, para esse mesmo público. “O livro detalha de forma fantástica e lúdica a diversidade e belezas de Rondônia, no aspecto amazônico e nos pontos turísticos, valorizando povos indígenas e enfatizando o ecoturismo”, destacou o superintendente da Setur, Gilvan Pereira. No Dia do Turismo, 13 de junho, o superintendente manifestava a expectativa do governo estadual em voltar, após a quarentena, a contabilizar ganhos financeiros com o setor. Ela previu que Rondônia seria beneficiada com o movimento de turistas em voos de companhias aéreas, em barcos, ônibus e vans. “Diversão, lazer, entretenimento, aventura, negócios, história e cultura, tudo isso faz parte do nosso projeto de impulsionar o turismo interno, valorizando nossos produtos turísticos e despertando interesse em desfrutar das belezas naturais desta parte da Amazônia Ocidental Brasileira”, ele observou. Por Montezuma Cruz

  • EUA atingem marca de 5 milhões de casos de covid-19

    País já soma mais de 162 mil mortes e especialistas alertam que números reais da doença podem ser dez vezes maiores Revista Imagem - Publicado em 10/08/2020 08:02 Os Estados Unidos superaram a marca de 5 milhões de infectados pelo novo coronavírus desde o início da epidemia no país, segundo dados divulgados neste domingo (09/98) pela Universidade Johns Hopkins, que monitora os avanços da covid-19 nos EUA e no mundo. Além de possuir o maior número de infecções em todo o planeta, o país também contabiliza a maior quantidade de mortes em razão da doença. Até este domingo, segundo a Johns Hopkins, eram mais de 162 mil óbitos no país, quase o triplo do total oficial de americanos mortos na guerra do Vietnã. Autoridades americanas de saúde afirmam que o número real das infecções no país seria 10 vezes maior do que o oficial, o que significaria um total de 50 milhões de pessoas infectadas. Essa subnotificação se explicaria pela baixa testagem na população e pelo fato de que em torno de 40% dos portadores do coronavírus não apresentam sintomas. A Itália, onde o coronavírus surgiu pela primeira vez na Europa, teve 35 mil mortes em razão de uma epidemia violenta que paralisou o país. Os italianos foram pegos de surpresa pela doença, mas conseguiram controlar a situação após a imposição de um rígido lockdown de 10 semanas, adotado juntamente com medidas para rastrear o surgimento de novos surtos. Soma-se a isso a ampla aceitação das medidas preventivas por parte da população – como o uso de máscaras de proteção e o distanciamento social. Muitos europeus se dizem espantados com a situação atual da doença nos EUA, uma vez que os americanos tiveram tempo para se preparar para a chegada do vírus, ao contrário do que ocorreu na Europa. O país poderia ter se beneficiado da experiência e conhecimento médico adquirido nos meses anteriores pelos europeus, antes dos pacientes infectados começarem a lotar as UTIs americanas. Ao invés disso, o governo americano adotou a estratégia de negar ou minimizar a extensão da doença, o que pode ter contribuído para o aumento dos casos e das mortes, assim como diversas outras atitudes tomadas pela Casa Branca. O ministro italiano da Saúde, Roberto Speranza, criticou o fato de os Estados Unidos suspenderem suas contribuições financeiras á Organização Mundial de Saúde (OMS) em meio a maior crise sanitária dos últimos 100 anos, e se disse impressionado com as decisões tomadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O líder americano se recusou durante meses a usar máscaras de proteção e chegou a colocar em dúvida alertas de saúde dos próprios especialistas do governo. Ao mesmo tempo, o país vive um processo de politização da resistência ao uso das máscaras e ao confinamento, o que, segundo especialistas, amplifica o risco de contaminação. Casos aumentam na Europa Os altos índices da covid-19 nos EUA levaram as nações europeias a bloquear a entrada de cidadãos americanos, juntamente com outros países considerados de alto risco, entre estes, o Brasil, que atingiu a triste marca de 100 mil mortos pela doença neste sábado. A Europa também cometeu erros ao lidar com a doença, como na demora de alguns países para impor lockdowns, falhas nas medidas de proteção aos idosos em casas de repouso, além da falta de testagens mais amplas e de equipamentos de proteção, observadas em algumas partes do continente. O vírus ainda atinge com força algumas nações dos Bálcãs. Em Berlim, na semana passada, milhares de pessoas com os rostos descobertos participaram de um protesto exigindo o fim das restrições impostas pela covid-19, apesar de a Alemanha ter realizado um amplo relaxamento das medidas restritivas em meados de junho, a tempo das férias de verão no hemisfério norte. Assim como ocorre na Espanha e na França, a Alemanha vê o ressurgimento da doença em níveis preocupantes, com mais de mil casos nas contagens diárias mais recentes. Na Itália, foram 500 novos casos na última sexta-feira. Já o Reino Unido tem média diária de 3,7 mil novas infecções. Mas, apesar do aumento das preocupações em toda a Europa, os números do continente são ainda modestos se comparados aos dos EUA, que tem média de 54 mil novas infecções por dia – no Brasil, foram mais de 49 mil novos casos neste sábado, segundo fontes oficiais. Mesmo que os números americanos estejam abaixo do pico de mais de 70 mil novas infecções em um dia registrado em meados de julho, a luta contra o coronavírus ainda está longe do fim. Quase 20 estados relatam aumento de casos, com os óbitos também em ascensão na maioria destes. Enquanto o coronavírus surgia nos EUA, Trump dizia se tratar de uma farsa e que o vírus desapareceria rapidamente com a chegada do calor no verão do hemisfério norte. "Não há estratégia nacional" O americano já compartilhou nas redes sociais e até em suas coletivas de imprensa uma série de notícias falsas, inclusive ao sugerir o uso da hidroxicloroquina no tratamento da doença, sem oferecer provas da eficácia do medicamento. Em dado momento, ele chegou a sugerir a injeção de desinfetantes para conter o coronavírus. Trump, que prega a reabertura da economia do país temendo possíveis ameaças à sua reeleição nas eleições de novembro, culpou a China pela pandemia e chegou a insinuar que o vírus teria sido criado em laboratório no país asiático. Trump chegou a pedir a redução dos testes na população, afirmando que, quanto maior a testagem, mais casos aparecerão nas estatísticas. Ele se queixa com frequência da maior autoridade no país no combate à epidemia, o Dr. Anthony Fauci, um especialista em doenças infecciosas bastante respeitado na Europa. O Dr. David Ho, que coordena uma equipe de cientistas da Universidade de Columbia, nos EUA, que desenvolvem tratamentos contra a covid-19, critica com veemência a forma como o governo americano vem lidando com o problema. "Não há estratégia nacional, não há liderança e não há um pedido para que a população haja de forma unificada e obedeça em conjunto as medidas ", alertou Ho. "Estamos completamente abandonados como nação", lamentou. Ao mesmo tempo, muitos na Europa se vangloriam de seus sistemas de saúde, que, em muitos casos, proveem testagens e tratamentos gratuitos, ao contrário do que ocorre nos EUA. Para muitos americanos, a situação é agravada pelas desigualdades raciais e de renda, que dificultam o acesso ao sistema de saúde. Por Deutsche Welle

  • Brasil: casos de covid-19 passaram de 3 milhões no fim de semana

    País registrou mais 23.010 casos confirmados de covid-19 e 1.079 mortes no domingo Revista Imagem - Publicado em 10/08/2020 07:55 O Brasil registrou mais 23.010 casos confirmados de covid-19 e 1.079 mortes em 24 horas, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde divulgados neste domingo (09). O balanço eleva o total de infecções para 3.035.422 e o total de óbitos para 101.049. Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação. Além disso, é normal que os dados divulgados durante o fim de semana sejam mais baixos em consequência de falhas nas contagens em estados e municípios. O Ministério da Saúde informou que, até este domingo, 2.118.460 pacientes se recuperaram da doença, e 815.913 estavam em acompanhamento. O Conass não informa número de recuperados. São Paulo é o estado brasileiro mais atingido pela epidemia, com 627.126 casos e 25.114 mortes. O número de infectados no território paulista supera os registrados na maioria dos países do mundo. A Bahia é o segundo estado brasileiro com maior número de casos, somando 193.029, e o sexto em número de mortos, com 3.953 vítimas. Já o Ceará tem 188.542 infecções e 7.954 óbitos, o que o coloca atrás do Rio de Janeiro (com 178.859 infecções e 14.080 óbitos) como o terceiro estado com mais mortes. Além São Paulo, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, outros seis estados e o Distrito Federal registraram mais de 100 mil casos. São eles: Pará, Minas Gerais, Maranhão, Amazonas, Pernambuco e Santa Catarina. Segundo o Conass, a taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes é atualmente de 48,1 no Brasil. Apesar de estar subindo nas últimas semanas, a cifra ainda é menor do que a registrada em nações europeias duramente atingidas, como o Reino Unido (70,16), a Bélgica (86,41) e a Espanha (61). Em números absolutos, o Brasil é o segundo país do mundo com mais infecções e mortes por coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, que já acumulam mais de 5 milhões de casos e mais de 162 mil óbitos. Atrás de EUA e Brasil, os países mais atingidos são Índia (2,1 milhões de casos), Rússia (885 mil) e África do Sul (559 mil). Ao todo, mais de 728 mil pessoas morreram em decorrência do vírus no planeta. Depois de EUA e Brasil, os maiores números absolutos de mortes se concentram no México (52 mil), Reino Unido (46,6 mil), e na Índia (43,3 mil). Por Deutsche Welle

  • Vilhena registra 4 novos casos de infecção por coronavírus neste domingo

    O município soma 32 óbitos, sendo 27 mortes de vilhenenses e 1.859 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus Revista Imagem - Publicado em 10/08/2020 07:43 Vilhena registrou 4 novos casos de covid-19 neste domingo (9), sendo por exame de RT-PCR e 1 por teste rápido (anticorpos IgM/IgG). Os dados são do boletim municipal sobre o coronavírus, da Secretaria de Saúde de Vilhena. O município soma 32 óbitos por covid-19, sendo 27 mortes de vilhenenses e 5 óbitos de moradores de outras cidades. Já o número de casos chega ao total de 1.859 pessoas contaminadas pelo coronavírus, desde o primeiro caso descoberto há 126 dias (5 de abril). O município é o quarto do estado em número de casos confirmados da doença. Rondônia registrou até hoje 44 mil casos confirmados e 943 óbitos. A secretaria municipal de Saúde ainda investiga 106 casos suspeitos de contaminação. Entre os contaminados, 454 casos ainda estão ativos, já 1.378 casos são considerados curados em Vilhena. A Central de Atendimento da Covid-19 tem 14 pacientes internados, sendo 5 na UTI - o mesmo número dos últimos 3 dias. A taxa de ocupação de leitos de UTI da Central da Covid-19 é de 50%. Por José Antonio Sant'Ana

  • Vilhena registra 48 novos casos de infecção por coronavírus neste sábado

    O município soma 32 óbitos, sendo 27 mortes de vilhenenses e 1.855 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 23:06 Vilhena registrou 48 novos casos de covid-19 neste sábado (8), o mesmo número do dia anterior. Os dados são do boletim municipal sobre o coronavírus, da Secretaria de Saúde de Vilhena. O município soma 32 óbitos por covid-19, sendo 27 mortes de vilhenenses e 5 óbitos de moradores de outras cidades. Já o número de casos chega ao total de 1.855 pessoas contaminadas pelo coronavírus, desde o primeiro caso descoberto há 125 dias (5 de abril). O município é o quarto do estado em número de casos confirmados da doença. Rondônia registrou até hoje 43,8 mil casos confirmados e 940 óbitos. A secretaria municipal de Saúde ainda investiga 109 casos suspeitos de contaminação. Entre os contaminados, 450 casos ainda estão ativos, já 1.378 casos são considerados curados em Vilhena. A Central de Atendimento da Covid-19 tem 11 pacientes internados, sendo 5 na UTI - o mesmo número dos últimos dois dias. A taxa de ocupação de leitos de UTI da Central da Covid-19 é de 50%. Por José Antonio Sant'Ana

  • Brasil chega a 100 mil mortos por covid-19: uma tragédia anunciada

    É como se toda a população de Vilhena tivesse desaparecido; números reais de casos e mortes devem ser ainda maiores Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 19:30 Menos de seis meses depois de registrar oficialmente sua primeira morte por covid-19, o Brasil ultrapassou neste sábado (08) a marca de 100 mil óbitos pela doença. Foram mais 905 mortes registradas nas últimas 24 horas, elevando o total para 100.477, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). No mesmo dia, o país ainda cruzou a marca de 3 milhões de casos identificados da doença, com o registro de quase 50 mil novas infecções. Contudo, especialistas e instituições de saúde alertam que os números reais de casos e mortes devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação. Mas mesmo os números oficiais já representam um dos maiores desastres sanitários da história brasileira. Desde a morte do primeiro paciente por covid-19 – uma mulher de 57 anos em São Paulo, em 12 de março – é como se toda a população de Vilhena tivesse desaparecido. Em poucos meses, a covid-19 matou no Brasil praticamente o mesmo número de pessoas que a tuberculose vitimou no país em mais de duas décadas. Desde maio, o país vem registrando com regularidade cerca de mil mortes por dia. Em meados de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que a epidemia no Brasil seguia em expansão, mas que seu crescimento parecia ao menos ter estabilizado e chegado a um platô. Ainda assim, trata-se de uma estabilização com altos números de mortes e de novos casos, que ainda não começaram a baixar. Segundo a OMS, aquele seria o momento de iniciar esforços para derrubar esses índices e finalmente controlar a doença. No entanto, não há nenhum sinal de que haja vontade política para que isso ocorra em breve. É como se essa rotina de centenas de mortes diárias tivesse sido incorporada ao cotidiano. Apenas um país acumula mais mortes e casos do que o Brasil: os EUA Por Deutsche Welle

  • Mourão defende avanços nos sistemas de monitoramento da Amazônia

    Para ele, também é preciso tratar do problema fundiário da região Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 09:20 O vice-presidente também lembrou que o desflorestamento e as queimadas na Amazônia vêm sofrendo uma escalada desde 2012 O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira (7) que o Estado brasileiro deve cumprir seu papel de proteção e desenvolvimento da Amazônia, mas que há muito desencontro sobre as informações de desmatamento na região, já que os sistemas de monitoramento, utilizados no apoio às decisões do governo, “não são os melhores” e “se ressentem de uma melhor qualidade”. “Os satélites que nós temos são ótimos, que não enxergam durante o período das chuvas e de nuvens. Precisamos avançar para ter uma tecnologia radar, termos aeronaves não tripuladas de melhor nível e que possam manter um acompanhamento da situação da cobertura vegetal com melhor qualidade do que só pura e simplesmente a imagem satelital”, explicou, durante encontro virtual promovido pela FSB Comunicação. Mourão preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal. Em entrevista recente, o vice-presidente também lembrou que o desflorestamento e as queimadas na Amazônia vêm sofrendo uma escalada desde 2012 e atingiu um pico no ano passado, o que motivou as críticas e pressões internacionais. A previsão de Mourão para o desmate neste ano é semelhante ao do ano passado. No período de agosto de 2018 a julho de 2019, o desmatamento da Amazônia Legal foi estimado em 9.762 quilômetros quadrados (km²), um aumento de quase 30% em relação ao período anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Já para as queimadas, a expectativa de Mourão é de redução. A meta do governo para os meses mais críticos, entre agosto e outubro, é que os incêndios fiquem abaixo da média histórica, em torno de 3 mil a 4 mil focos de calor por mês. De acordo com o vice-presidente, além da proibição do uso de fogo em áreas rurais, as Forças Armadas vão prosseguir com a Operação Verde Brasil, para coibir queimadas criminosas. Mourão e o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, também relator do Código Florestal, participaram do encontro virtual para discutir as críticas, as pressões internacionais e os desafios enfrentados pelo Brasil nas políticas para a Amazônia e o meio ambiente. Ambos acreditam que é preciso tratar do problema fundiário da região, promover políticas de desenvolvimento sustentável e assegurar os direitos das pessoas que vivem lá, indígenas ou não indígenas, de acesso ao progresso, à infraestrutura e a serviços básicos, como saúde e educação de qualidade. Para Mourão, esse direito deve estar centrado na bioeconomia, a partir do mapeamento da biodiversidade florestal, da construção de uma infraestrutura logística sustentável e de financiamento e investimentos no setor. Aldo Rebelo criticou a demarcação de áreas de preservação na Amazônia que já estavam ocupadas por pessoas assentadas pelo próprio Estado. “Quando se demarca em área antropizada, você transforma aquelas pessoas em criminosos, mas a responsabilidade é do Estado. São 2% ou 3% que agem criminosamente, que queima e que desmata. A maioria foi pra lá na melhor das intenções”, disse. Atividades produtivas Eles também defenderam a regulamentação de atividades produtivas em terras indígenas, previstas na Constituição, como o garimpo e a produção agrícola, mas destacaram que essa exploração deve acontecer dentro da lei ambiental, uma das mais rigorosas do mundo, segundo eles. “Nós temos que parar de tapar o sol com a peneira e entender que o indígena tem que ter o direito de explorar a riqueza que tem na terra dele dentro dos ditames da nossa legislação. A partir daí, ele terá acesso ao progresso material da humanidade, todas as benesses do mundo moderno e não vivendo como se estivesse segregado", disse Mourão. Para Aldo Rebelo, além de ser um ator ambiental relevante no mundo, o Brasil tem aspirações dentro da Amazônia e já desenvolve atividades de mineração, extrativismo e agropecuária que precisam ser agregadas ao processo de transformação, de agregar valor à produção. “A Amazônia precisa atravessar esse caminho e precisa de recurso e o Estado precisa assumir essa responsabilidade”, disse, criticando a política econômica do governo atual, “de restrição absoluta e enxugamento desse papel do Estado brasileiro”. O vice-presidente Mourão concordou que a ausência do Estado é um dos problemas mais graves que ocorre na região e disse que, além do aumento do orçamento para ações na região, é preciso buscar recursos de outras fontes de financiamento e doações, para manter a presença do Estado e recuperar a capacidade operacional dos órgãos de fiscalização “que estão com dificuldade de cumprir sua missão”. Por Andreia Verdélio

  • Conab investe mais de R$ 4 milhões na agricultura familiar em Rondônia

    O investimento acontece por meio do Programa de Aquisição de Alimento; Cerca de 977 toneladas de alimentos serão distribuídos a instituições Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 09:05 Os agricultores familiares de Rondônia contarão com pouco mais de R$ 4,2 milhões no apoio à comercialização dos produtos. O investimento acontece por meio do Programa de Aquisição de Alimento (PAA), executado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com os ministérios da Cidadania (MC), Agricultura (Mapa) e Economia (ME). Cerca de 977 toneladas de alimentos hortifrutigranjeiros serão distribuídos a instituições socioassistenciais e educacionais que atendem pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional no estado. Neste ano, as inscrições para o PAA foram divididas em duas fases. A segunda etapa, encerrada em julho, teve inscrição de 25 propostas de organizações da agricultura familiar rondoniense, chegando a uma demanda de R$ 3,51 milhões. Deste total, 19 projetos foram contemplados seguindo as regras de classificação determinadas pelo grupo gestor do programa. Os investimentos para essas propostas chegam a R$ 2,78 milhões, atingindo o limite orçamentário disponível para o estado. Com este recurso, 397 famílias de agricultores familiares receberão apoio na comercialização de 547,9 toneladas de produtos. Já na primeira fase, encerrada em maio, foram contemplados os projetos classificados no ano passado que estavam na base de dados da Companhia. Em Rondônia, foram retransmitidas 13 propostas, que somam R$ 1,47 milhão em apoio a 228 agricultores familiares para produção de 429,5 toneladas de alimentos. Os produtos das organizações contempladas beneficiarão 51 instituições da rede socioassistencial e educacional dos municípios de Cacaulândia, Alto Alegre dos Parecis, Mirante da Serra, Jaru, Rolim de Moura, Cacoal, Alvorada d'Oeste, Ji-Paraná, Porto Velho, Ministro Andreazza, São Felipe d'Oeste, Nova Brasilândia d'Oeste, Urupá, Presidente Médici, Buritis e São Miguel do Guaporé. Operacionalizado pela Conab com recursos do Ministério da Cidadania, o PAA é uma política pública que oferece aos pequenos agricultores, vinculados a associações ou cooperativas, a garantia de compra de sua produção, gerando renda e inclusão social no meio rural. Na modalidade de Compra com Doação Simultânea, o programa contribui para a promoção da cidadania e a melhoria da qualidade de vida de pessoas em situação de risco alimentar. Da Redação com informações da assessoria

  • Pesquisadores americanos testam vacina genética contra zika

    Pesquisa consegue resultados efetivos em animais e pode ajudar outros estudos na busca de imunizante contra covid Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 09:00 Aposta da ciência contemporânea, vacinas de RNA nunca foram aprovadas para uso humano. Mas há muitos pesquisadores pelo mundo debruçados sobre essa tecnologia. E um estudo publicado nesta sexta (07/08) pela revista Science Advances dá esperanças neste sentido, principalmente para o Brasil — bastante atingido pelo vírus da zika nos últimos anos. A pesquisa, realizada por um grupo de cientistas de diversas instituições americanas, conseguiu resultados efetivos com vacinas genéticas em animais — primeiro em camundongos, depois em macacos-rhesus. Com uma das duas versões desenvolvidas, o índice de proteção foi total quando os animais, 49 dias depois de serem imunizados, foram submetidos ao vírus da zika. Um dos pesquisadores envolvidos, o biólogo molecular e bioquímico Dong Yu, diretor do setor de identificação de antígenos da unidade Estados Unidos da GSK Vaccines, afirma à DW Brasil que essa tecnologia "tem o potencial de impactar significativamente o futuro da ciência das vacinas”, por sua capacidade de provocar uma "resposta imunológica forte e sustentada” no organismo. "Os dados pré-clínicos mostram que o método é promissor”, ressalta. Tanto os envolvidos na pesquisa quanto cientistas brasileiros consultados pela reportagem, contudo, lembram que é preciso cautela. São vacinas ainda em início de desenvolvimento — e há um longo caminho até que possam ser comprovadamente consideradas seguras e eficientes para uso humano. "Nunca foi feita nenhuma vacina por RNA ainda porque não houve oportunidade”, comenta o o médico infectologista Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "É verdade que se trata de uma tecnologia nova e sua vantagem, em tese, seria um desenvolvimento um pouco mais rápido. Mas vamos ver se funciona, já houve tentativas que não deram certo.” "Em teoria, qualquer técnica para fazer vacinas pode ser aplicada para qualquer doença ou contra qualquer patógeno”, diz o médico Carlos Rodrigo Zárate-Bladés, diretor do Laboratório de Imunorregulação da Universidade Federal de Santa Catarina. "Tudo precisa de teste: funciona? Não funciona? É viável economicamente? É o mínimo que precisa ser respondido na hora de pensar em fazer uma potencial vacina.” Historicamente o RNA é uma molécula bem mais difícil de trabalhar no laboratório. De acordo com Zárate-Bladés, nos anos 1990, havia uma expectativa de que todas as novas vacinas fossem genéticas, mas baseadas em DNA, "mais estável e fácil de manipular” — contudo a técnica se mostrou pouco efetiva. Isso fez com que até hoje não exista vacina do tipo para uso humano. De DNA, há algumas de uso veterinário. Covid Mas veio a pandemia do novo coronavírus e a corrida é mundial pela descoberta, em tempo recorde, de um imunizante capaz de fazer o planeta voltar ao normal. Dentre as pesquisas mais avançadas em desenvolver a vacina, há exemplos que usam a ideia do RNA. Conforme explica o médico Jorge Elias Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor), a técnica consiste em fazer com o RNA mensageiro entre na célula com uma mensagem da proteína imunogênica, desencadeando sua produção e exportação para fora da célula. O sistema imunológico, consequentemente, reconheceria isso como uma proteína estranha. "Existem várias candidatas a vacinas [contra a covid-19] sendo testadas atualmente que funcionariam assim. Dentre elas, duas das mais avançadas”, comenta ele. No caso da vacina contra zika cujo artigo foi publicado nesta sexta, Dong Ju e sua equipe fizeram adaptações na técnica para que o RNA se autoamplificasse. Esse foi o pulo do gato para que a imunização, ao menos nos testes com animais, fosse eficaz. Ele reconhece que em condições normais o desenvolvimento de uma vacina deve levar anos. Mas acha que as pesquisas urgentes que vêm sendo realizadas por conta do coronavírus podem ajudá-lo. "Temos esperança de que a aceleração da tecnologia, por meio do processo colaborativo [com os pesquisadores de coronavírus], possa impactar os prazos de desenvolvimento de potenciais vacinas baseadas em RNA”, afirma o biólogo. "Mas isso precisa ser analisado à medida que formos acompanhando o progresso feito com as vacinas contra covid-19.” Brasil Depois do boom entre 2015 e 2016, os casos de zika no Brasil caíram significativamente. Se ao longo de 2016 foram registrados 215 mil infectados pelo vírus no país, nos primeiros seis meses de 2020 os dados do Ministério da Saúde indicam apenas 5 mil. Não há uma explicação clara para o fenômeno. Segundo Granato, as hipóteses são de que o zika "perdeu na competição com outros vírus, como o da dengue, que segue firme e forte”; que a infecção tenha se tornado mais branda, do ponto de vista clínico; ou, menos provável para o médico, que nos locais onde o vírus teve mais impacto "a população de suscetíveis saturou”. Se por um lado os dados indicam um bom cenário, por outro isso dificultaria a aprovação de uma vacina definitiva. Isto porque a fase 3 dos testes de um imunizante, segundo os protocolos, são os testes em massa. "O grande problema de uma vacina contra zika hoje é que não se pode chegar a essa fase, porque ela exige a doença ativa”, diz Kalil. Isso não significa, de forma alguma, a interrupção das pesquisas. Conforme explica o médico, o melhor a ser feito é evoluir nas fases anteriores a essa final, deixando as vacinas "prontas”. "Então, se por acaso vier a começar algum novo surto de zika em qualquer lugar do mundo, é possível testá-la”, explica. Por Deutsche Welle

  • Covid mata em 6 meses mesmo número de brasileiros que HIV em 9 anos

    Nenhum dos flagelos que atingem os brasileiros periódica ou continuamente matou tantos em tão pouco tempo como a Covid-19 Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 08:32 Castigado há séculos por epidemias e surtos dos mais variados tipos, o Brasil não é estranho a crises de saúde. Até hoje, no entanto, nenhum dos flagelos que atingem os brasileiros periódica ou continuamente matou tantos em tão pouco tempo como a Covid-19. O país deve chegar no sábado à trágica marca de 100 mil mortes causadas pela doença. Desde a gripe espanhola, há 102 anos, o Brasil não via algo assim, com a perda de vidas em uma velocidade muito superior a enfermidades como Aids, tuberculose e dengue. "Isso é inédito, algo que nunca teve. Deveríamos estar em desespero, isso é uma tragédia como uma guerra de verdade, um conflito armado. Mas o Brasil está em uma anestesia coletiva", diz o infectologista José Davi Urbaéz, porta-voz da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). A comparação com outras doenças que, como a Covid-19, são virais e não têm vacinas, mostra o tamanho do estrago que o novo coronavírus --que também pode atingir no sábado a marca de 3 milhões de casos confirmados no país-- vem fazendo no Brasil. Considerada a epidemia do século 20, o HIV e as doenças associadas à Aids fizeram 270.591 vítimas entre 1996 e 2018, de acordo com o DataSUS, sistema de vigilância em saúde do governo federal. O HIV, no entanto, levou 9 anos para alcançar o número de mortos que a Covid-19 fez em pouco mais de 5 meses. Quase endêmica no país, a tuberculose é outra doença que matou muitos brasileiros. Foram 104.268 óbitos entre 1996 e 2018, último ano em que o DataSUS tem contagem completa. Foi em 2017, depois de 22 anos de registros, que a doença atingiu a mesma marca de vítimas fatais que a Covid deixará até este fim de semana. A dengue, outro flagelo que atinge os brasileiros a cada verão, apesar dos milhões de casos registrados, matou 6.984 pessoas em 23 anos. Em 2019, um dos piores anos da série, foram 782 óbitos. A malária, no mesmo período de 1996 a 2018, fez 2.342 vítimas fatais. "Nos últimos 100 anos o Brasil sofreu diversas pandemias, epidemias e possui grandes endemias. Tivemos a pandemia de Influenza H1N1 em 2009; na década de 90 a pandemia de cólera nos atingiu, temos a epidemia de dengue, zika e chikungunya que frequentemente nos visita, além de termos grandes endemias como tuberculose, malária, doença de Chagas, leishmaniose. Entretanto, nenhuma dessas doenças vitimou tantos brasileiros num período tão curto de tempo. Isso é uma coisa que nos choca muito", diz o infectologista Roberto Medronho, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio e Janeiro e líder do Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento da Covid-19 da UFRJ. Chamada de "gripezinha" pelo presidente Jair Bolsonaro, a Covid-19 é ainda bem mais mortal que os diferentes tipos de influenza, que em 23 anos causaram a morte de 9.836 mil pessoas no país, segundo os números do DataSus. "Esses números mostram que não é uma gripezinha, um resfriadinho, é uma doença muito grave, não é algo dentro do normal, não é possível relativizar. A Covid-19, dentro do cenário de saúde pública, é um dos mais importantes fenômenos da história do Brasil. É difícil uma doença aguda, tirando a gripe espanhola, que tenha levado tantas vidas em tão pouco tempo", afirma Alexandre Naime, chefe do departamento de Infectologia da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A influenza de 1918, que entrou para a história como gripe espanhola, matou entre 30 e 50 milhões de pessoas no mundo. Em um Brasil ainda majoritariamente rural, a estimativa é de 35 mil a 50 mil mortos, sendo quase 15 mil no Rio de Janeiro, maior cidade do país à época. 200 mil óbitos "A gente não sabe quando vai parar, talvez 150 mil, talvez 200 mil óbitos. Nós só vamos ter noção do impacto do que realmente foi a Covid-19 quando tivermos um distanciamento temporal, mas não tenha dúvidas de que na história do Brasil ela só tem comparação com a gripe espanhola", diz Naime. "Na história do Brasil como um todo, pode ter correlação com números de óbitos causados pelas doenças que colonizadores trouxeram para os índios, como varíola e influenza." O início da epidemia no Brasil é marcado como 26 de fevereiro, quando foi confirmado o primeiro caso, em São Paulo. Foram praticamente três meses para chegar em 50 mil mortes, e mais 50 dias para se chegar a 100 mil, se o número for de fato atingido no sábado --até quinta-feira, foram confirmadas 98.493 mortes por Covid-19 no país. Há sete semanas epidemiológicas consecutivas o país tem registrado mais de 1.000 mortes por dia em média, e caminha para a oitava semana acima desse patamar após registrar 4.930 óbitos nos últimos cinco dias. Paralelamente, o número de casos permanece elevado, com média superior a 50 mil registros por dia nos dias de semana, levando o Brasil a passar de 2 milhões para 3 milhões de infecções confirmadas em apenas 23 dias caso o número seja alcançado no sábado -- uma aceleração em relação ao milhão de casos anterior, que foi acumulado ao longo de 27 dias. "É uma situação ímpar, é uma tragédia e não se tem nenhum alinhamento para controle da pandemia. O que se vê é o predomínio de palavras como 'flexibilização', 'reabertura', tudo o que aumenta circulação de pessoas e perpetua a propagação do vírus em nível absurdo", diz Urbaéz, da SBI. "Não existe platô em controle de epidemia, isso é uma invenção. É uma catástrofe você optar por ter um país em que 1.200 mortes por dia seja parte da rotina das pessoas." Depois de começar a epidemia com fechamento da economia nas primeiras semanas, hoje o Brasil vê a maior parte das cidades com a vida voltando ao normal, inclusive com discussões sobre a retomada de aulas presenciais, além de bares, restaurantes e academias abertos e circulação de carros e pessoas pelas ruas. Bolsonaro, que sempre se opôs às quarentenas alegando que o impacto econômico da paralisação seria pior do que os próprios efeitos da doença, disse na quinta-feira que lamentava as mortes, "mas vamos tocar a vida", repetindo postura que vem adotando desde o início da pandemia de minimizar os óbitos. Para Medronho, da UFRJ, esse resultado é decorrente da falta de articulação entre o governo federal, Estados e municípios. "Essa dramática situação não é decorrência apenas da gravidade da doença, mas também de uma desarticulação completa entre os entes da Federação para o enfrentamento adequado da doença", afirma Medronho. Depois da saída de dois ministros da Saúde --Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich--, o general Eduardo Pazuello, interino no cargo desde maio, coordena a distribuição de equipamentos e medicamentos e a qualificação de UTIs, mas abandonou a defesa do distanciamento social, medida considerada essencial por especialistas em saúde pública para conter o avanço do vírus. "A mensagem que temos hoje 'é pegue seu coronavírus e se ficar grave tem UTI. Esse é o resumo da nossa política", diz Urbaéz. Por Lisandra Paraguassu e Pedro Fonseca (Reuters)

  • Servidora municipal mobiliza mães em campanha em prol da amamentação

    Para estimular a amamentação, Unidades de Saúde realizam orientações durante o pré-natal Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 08:30 Fonoaudióloga Adê Dias, do Hospital Regional de Vilhena em promoção da Semana Mundial do Aleitamento Materno Relatos curiosos e emocionados de mamães que valorizam a amamentação de seus pequenos estão sendo reunidos e divulgados pela fonoaudióloga Adê Dias, do Hospital Regional de Vilhena (HRV) em promoção da Semana Mundial do Aleitamento Materno. Por meio de alertas nas redes sociais e imprensa, a Prefeitura de Vilhena lembra a todas as mães que o aleitamento materno é importante estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível, econômica e eficaz intervenção para redução da morte de bebês. Leia todos os relatos aqui. Adê, que orienta algumas mamães com dificuldade no aleitamento, explica que a campanha visa levar informação ao público sobre os prejuízos de as mães interromperem a amamentação precocemente. “Eu sou consultora em amamentação. Esse ano comecei a usar as redes sociais como forma de orientação às mães. Muitas desistem de amamentar por falta de informação correta. A mãe pode escolher amamentar ou não, mas a escolha tem que ser consciente. Se ela decidiu amamentar e venha a ter dificuldades, ela tem que saber procurar ajuda. Mas, infelizmente, a maioria sofre em casa com tentativas infrutíferas e podem acabar desistindo. O objetivo é ensinar, orientar e explicar”, explica a profissional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação é um processo muito importante para garantir a saúde do bebê e da mãe. O leite materno é rico em água, vitaminas, proteínas, gorduras e outros nutrientes essenciais para o desenvolvimento e proteção do recém-nascido nos primeiros meses de vida. Além de fortalecer o vínculo entre a mãe e o bebê, a amamentação diminui os riscos de a mulher desenvolver anemia, osteoporose, doenças cardíacas, câncer de mama e de ovário, depressão e hemorragia pós-parto. No Hospital Regional, os bebês que apresentam dificuldade em se alimentar do peito enquanto estão na maternidade recebem ajuda de profissionais de Saúde da unidade com estímulos aos pequenos e orientações às mamães. Até mesmo antes do parto, durante a gestação, as que fazem acompanhamento nos postinhos também são orientadas. A CAMPANHA - Durante a semana diversas publicações nas redes sociais orientam as mães sobre a importância do tema. O material é produzido em alusão à Semana Mundial do Aleitamento Materno, que acontece logo após o Dia Mundial da Amamentação, comemorado em 1° de agosto. O período é lembrado desde 1992 em mais de 120 países. Os dias foram definidos pela OMS e pelo Unicef com base na Declaração de Innocenti, assinada em 1º de agosto de 1990. Desde então o mês de agosto tornou-se simbólico na promoção do aleitamento materno no Brasil e no mundo. Em 2020, em sua 28º edição, o movimento tem como tema neste ano “Apoie o Aleitamento Materno por um Planeta Saudável”. Por Herbert Weil

  • Como a reforma tributária pode afetar o seu bolso

    Presidentes da Câmara e do Senado já declararam que pretendem aprovar a medida até o fim deste ano; Há, entretanto, muito ainda a se discutir Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 08:00 A comissão especial mista encarregada de analisar as propostas de reforma tributária reuniu-se pela primeira vez desde que o Congresso recebeu o projeto do governo nesta quarta (5). O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), já declararam que pretendem aprovar a medida até o fim deste ano. Há, entretanto, muito ainda a se discutir: o Projeto de Lei enviado pelo governo no último dia 21 de julho será analisado em paralelo a outras duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que já tramitavam no Legislativo, a 45 e a 110. Apesar de ser bem menos ambiciosa do que essas duas últimas, a proposta do governo suscitou uma série de críticas nos últimos dias — sobre a possibilidade de aumento de carga tributária, com consequente elevação de preços no setor de serviços, e um possível tratamento mais brando para o setor financeiro, que pagaria uma alíquota menor. Ele propõe a unificação de de dois tributos federais, o PIS/Pasep e a Cofins, em um só — a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), com uma alíquota geral de 12% e um regime não cumulativo (em que cada etapa da cadeia produtiva gera um crédito que pode ser compensado na etapa posterior). A tributação do PIS/Cofins é bastante complexa (são duas mil páginas de legislação), o que gera um alto custo de conformidade — aqueles grandes departamentos de contabilidade que algumas empresas precisam manter para entender o que precisam de fato pagar — e um volume substancial de litígios na Justiça. Assim, de forma geral, a proposta de substituir o PIS/Cofins por um tributo mais simples e transparente é apontado como um ponto positivo do PL. O modelo de imposto sobre valor agregado no qual o CBS se inspira tem ampla experiência internacional e é adotado pelos países da União Europeia e pelos Estados Unidos, por exemplo. A questão da alíquota Um ponto que vem sendo discutido, no caso do CBS, é a questão da alíquota, que foi considerada alta por muitos especialistas. "A gente tem impressão de que 12% é muito", diz o economista Josué Pellegrini, do Instituto Fiscal Independente (IFI). Segundo ele, não é possível ser assertivo ainda a respeito de um eventual aumento de carga tributária na proposta do governo. Se esse for o caso, entretanto, é muito provável que haja uma consequente alta de preços para os consumidores. A pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) Juliana Damasceno observa que os 12% parecem ser uma alíquota elevada quando se compara, por exemplo, com a proposta pela PEC 45 — uma alíquota de cerca de 25%, mas com a unificação de cinco tributos em vez de dois. "O governo pode ter sido conservador para não correr o risco de perder arrecadação ou para ter margem para negociar", avalia a economista. Durante a apresentação do CBS, o secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, afirmou, entretanto, que o governo não quer arrecadar mais com o novo tributo. A ideia é apenas simplificar o sistema, mantendo o mesmo nível de arrecadação dos dois tributos que serão extintos, que foi de R$ 325 bilhões em 2019. Aumento de preço no cabeleireiro e na escola? O setor que mais tem reagido contra a proposta é o de serviços. A Associação das Universidades Particulares (Anup) — presidida pela irmã do ministro Paulo Guedes, Elizabeth Guedes —, criticou o projeto argumentando que ele geraria uma onda de alta nas mensalidades do ensino superior privado e representaria o fim do ProUni. Do forma geral, diz Alexandre Evaristo Pinto, coordenador do MBA IFRS da Fipecafi, o impacto tende, de fato, a ser grande nos serviços. Isso porque o principal insumo desse setor costuma ser mão de obra, que não gera crédito tributário. O CBS, assim como os demais impostos sobre valor adicionado, é não cumulativo — ou seja, quem está na etapa seguinte da cadeia (um supermercado que compra um produto de uma indústria, por exemplo), pode descontar do que deve ao fisco o que já foi pago na etapa anterior pelo fornecedor. Os serviços, entretanto, geralmente têm uma cadeia pequena, além de poucos insumos que geram crédito. Nesse sentido, é possível que haja aumento de carga tributária para esse setor, diz o especialista em tributação. Ele ressalta, entretanto, que a proposta do governo prevê a manutenção do Simples — um regime tributário simplificado (com uma alíquota menor) usado por mais de 5 milhões de micro e pequenas empresas. Empresas optantes por essa modalidade, portanto, não estariam sujeitas à alíquota de 12% do CBS. Assim, o cabeleireiro e a manicure, por exemplo, poderiam não ser afetados; mas a rede de ensino privado, sim — com possibilidade, portanto, de reajuste das mensalidades. A academia de ginástica, ainda que faça parte de uma grande rede, pode ser uma franquia e estar enquadrada no Simples, assim como o restaurante. Via de regra, quanto maior a empresa, maior a chance de que ela possa acabar pagando mais impostos — caso a alíquota aprovada fosse de fato aquela proposta pelo governo, de 12%. Hoje, a grande maioria das empresas de serviços que não estão no Simples paga 3,65% de PIS/Cofins cumulativo, que não gera crédito tributário. O próprio secretário da Receita, em entrevista ao jornal Valor Econômico, admitiu a possibilidade de aumento de preços em alguns setores. Tostes disse que "não existe reforma tributária nula", que sempre há ganhadores e perdedores. E destacou que, ainda que haja aumento de preços em alguns segmentos, pode haver redução em outros, e que o governo espera, de forma geral, um equilíbrio. Quanto maior a renda, maior o consumo de serviços Um eventual aumento de preços nesse segmento teria impacto principalmente sobre as classes médias e altas. "Os mais pobres consomem mais bens. A participação dos serviços na cesta das classes altas é bem maior", pondera Pellegrini, do IFI. Juliana Damasceno, do Ibre-FGV, lembra que o governo deixou de fora dessa primeira etapa a proposta de acabar com a isenção de alguns impostos sobre produtos da cesta básica — o que vinha sendo aventado desde o ano passado. Esse é um exemplo claro de como a reforma poderia impactar nos preços, neste caso, de bens. "Caso (a desoneração) fosse revertida, é óbvio que os preços iriam subir", pontua. A ideia do governo era compensar o aumento para as classes mais baixas por meio de um repasse adicional em benefícios como o Bolsa Família. A experiência do PIS/Cofins A equipe econômica prometeu um estudo com as estimativas de impacto do novo tributo por setor. Para Alexandre Evaristo Pinto, da Fipecafi, eles são imprescindíveis na discussão. Como tributação é um assunto complexo, entretanto, que envolve uma série de fatores, muitas vezes é difícil prever exatamente como um novo imposto vai se comportar. Um exemplo nesse sentido é o do próprio PIS/Cofins. Eles foram modificados em 2002 e 2003, respectivamente, para incorporarem também o regime não cumulativo (até então, a cobrança era apenas cumulativa). Na época, as alíquota saltaram de 0,65% para 1,65%, no caso do PIS, e de 3% para 7,6%, no caso da Cofins — e o governo ressaltou que a intenção não era arrecadar mais. Passado um ano da implantação, verificou-se, entretanto, que as mudanças haviam, de fato, provocado um aumento da carga tributária. Quando isso acontece, dificilmente o Estado reajusta as alíquotas para baixo. Outro ponto do PL do governo que gerou discussão foi a alíquota diferenciada para instituições financeiras. Em vez de 12%, elas pagariam 5,8% de CBS, mas permaneceriam no regime cumulativo. De um lado, houve críticas de que, ainda que os bancos não pudessem tomar créditos tributários, eles acabariam pagando menos. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) disse ter feito as contas e verificado que a alíquota geraria, na verdade, aumento de carga tributária para o setor. Evaristo Pinto, que defende que a tributação das instituições financeiras deve ser diferenciada, ressalta que o setor paga alíquotas maiores em uma série de outros tributos, como a CSLL e a contribuição sobre folha de pagamentos. E acrescenta que esse é um setor que tem condições de repassar com facilidade um eventual aumento de custo tributário aos consumidores, seja aumentando as taxas de juros ou reduzindo a taxa de remuneração de aplicações dos correntistas. E as outras propostas? As duas PECs que já tramitam no Congresso — a 110, que tem como base a proposta do ex-deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), e a 45, de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) — também estão focadas em reformar impostos sobre bens e serviços. Esta última, que está na Câmara e se baseia no projeto idealizado pelo economista Bernard Appy, elimina cinco impostos. IPI e PIS/Cofins, de competência da União, ICMS, arrecadado pelos Estados, e ISS, de competência dos municípios, seriam substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A PEC 110, proposta pelo Senado, exclui nove — além dos cinco listados anteriormente, Cide-combustíveis, Pasep, IOF e salário-educação (esses dois últimos são tributos híbridos, não incidem apenas sobre bens e serviços), que também dariam lugar a um IBS. Em ambos os casos, de acordo com seus formuladores, as alíquotas foram calculadas de forma a não elevar a carga tributária. Mas ainda que a mudança não gerasse um aumento da arrecadação em proporção do Produto Interno Bruto (PIB), ela poderia provocar uma redistribuição da carga tributária, pondera Pellegrini, do IFI, com possibilidade de aumento de preços nos setores que eventualmente acabassem pagando mais. "Mas é preciso separar aumento de carga tributária e a situação em que um setor vai pagar mais e outro menos. São duas coisas diferentes", destaca. Hoje, de maneira geral, mercadorias são mais tributadas do que serviços no país. As alíquotas de ICMS, por exemplo, que recai majoritariamente sobre bens (apesar de incluir alguns poucos serviços, como de telecomunicações e de transporte), variam de 7% a 35%, enquanto as de ISS, cobradas essencialmente dos serviços, vão até 5%. Assim, uma equalização de alíquotas provocada pela unificação dos tributos, além do fato de que os serviços têm uma possibilidade menor de acumular créditos tributários para abater do que devem ao Fisco, poderia acabar elevando custos para algumas empresas do setor — que já vinha se manifestando contra as PECs. O economista Bernard Appy, idealizador da proposta da PEC 45, escreveu recentemente em uma coluna do jornal O Estado de São Paulo sobre o assunto, ressaltando que as companhias que tenderiam a ser mais afetadas seriam aquelas que prestam serviço diretamente ao consumidor final (aquelas que vendem serviços para outras empresas se beneficiariam pelos créditos tributários). Ele ponderou, entretanto, que o consumo de serviços é crescente com a renda e que, do ponto de vista distributivo, tributar um pouco mais esse segmento, mantendo a carga tributária no mesmo nível, faria sentido. E emendou que, em última instância, o aumento da renda decorrente da reforma tributária acabaria beneficiando os serviços. Com mais dinheiro no bolso, os clientes poderiam consumir mais. O Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), do qual Appy é diretor, encomendou recentemente um estudo de impacto macroeconômico da PEC. Assinada pelo pesquisador do Ibre-FGV Bráulio Borges, a nota técnica estima que a reforma elevaria o PIB potencial (em outras palavras, a capacidade da economia de crescer) em 20% em 15 anos. Por Camilla Veras Mota (BBC)

  • ESPECIAL: Pavimentação da BR-319 volta ao centro da polêmica ambiental

    MPF questiona a legalidade da obra na estrada que liga Manaus a Porto Velho, e cientistas alertam para o aumento do desmatamento na região Revista Imagem - Publicado em 08/08/2020 07:00 Uma rodovia federal de 885 quilômetros construída entre 1968 e 1973, abandonada em 1988, está no centro de uma polêmica ambiental. Trata-se da BR-319, estrada que liga Manaus a Porto Velho, em plena Floresta Amazônica. Em junho, o Diário Oficial da União publicou o edital para a pavimentação de um primeiro trecho previsto pelo governo para recuperar a via. O Ministério Público Federal questionou a legalidade, argumentando a falta de estudos ambientais. Nesta quinta, a revista Science traz uma carta assinada por dois cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) denunciando a situação para a comunidade internacional. O biólogo e ecólogo Lucas Ferrante, um dos autores do texto, ressaltou que um estudo de modelagem realizado pelo INPA indica que o desmatamento na região entre os rios Madeira e Purus, justamente por onde passa a trajeto, aumentaria em 1.200% — em relação aos dados de 2011 — com a obra de recuperação da pista. "Temos plena compreensão do que essa estrada vai gerar nessa área", comenta. "E os impactos são perturbadores. O carbono emitido por conta do desmatamento e das queimadas [no trajeto e no entorno] tem capacidade para alterar ainda mais o clima global." Ferrante argumenta que a região é "um dos blocos mais conservados de floresta amazônica". E a estrada traria acesso para "desmatadores e madeireiros", "algo muito preocupante em uma área que hoje é conservada". Procurados pela reportagem, outros cientistas ligados ao meio ambiente também demonstraram preocupação com a situação. "Quando você constrói e asfalta, sem planejamento e estudos de impacto, você permite a proliferação de todo um ambiente deletério e serviços de baixíssimo valor agregado. Construir estrada não é desenvolvimento. Há diversos casos assim no Brasil", diz o pesquisador Tiago Reis, que estuda ações de combate ao desmatamento na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Populações indígenas da região relataram preocupações com a estrada "Projetos de infraestrutura são grandes vetores de desmatamento e destruição na Amazônia", completa Reis. "A construção de uma rodovia viabiliza que madeireiros ilegais e grileiros cheguem a porções da floresta a que antes eles não chegariam." O biólogo Filipe França, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Rede Amazônia Sustentável, lembra que há diversos estudos anteriores que demonstram os efeitos prejudiciais da construção de rodovias para os ecossistemas cortados por elas. "Se olharmos o histórico da Amazônia, a situação se repete: sempre depois da estrada, chegam os distúrbios", aponta. "A facilitação do acesso aumenta a ação de madeireiros, favorece a instalação de população, há a introdução de pastagens, mais desmatamento… E tudo isso resulta em perdas para a biodiversidade." Conforme estudo publicado em 2014 pelo periódico Biological Conservation, 95% do desmatamento da Amazônia ocorre dentro de um raio de 5,5 quilômetros de estradas ou em um raio de 1 quilômetro de um rio. O mesmo artigo também demonstra que no entorno de cada via oficial surge uma malha de estradinhas não oficiais — o que, evidentemente, aumenta o estrago ambiental. Estudos ambientais De acordo com Ferrante, o principal argumento do governo federal para não realizar novos estudos de impacto é que "como a rodovia já foi pavimentada na década de 1970", uma nova análise "não seria necessária". "Só que esses estudos precisam ser refeitos. A via deixou de ser trafegável, basicamente ficou fechada e sem manutenção. As dinâmicas populacionais e as perturbações ambientais mudaram de escala nesse período", diz o biólogo. "Hoje a capacidade de causar desmatamento na área é muito maior, os processos de degradação são maiores…" Havia uma determinação do Ministério Público Federal nesse sentido mas, em 24 de junho o Ministério da Infraestrutura e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) publicaram o edital de licitação para a contratação da empresa a ser encarregada da obra. Na primeira fase, a previsão é asfaltar 52 quilômetros, entre os quilômetros 198 e 250 da rodovia. Em comunicado divulgado na data pela assessoria de imprensa, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas ressaltou que a ação era um compromisso do "governo do presidente Jair Bolsonaro" e que representava "um marco para o desenvolvimento destes dois estados [Amazonas e Rondônia]". À Agência Brasil, o ministro declarou na ocasião que nutria a expectativa de que as obras começassem o mais rapidamente possível. "Esperamos que a contratação esteja concluída ainda em 2020", disse. No dia 1º de julho, o Ministério Público Federal protocolou a impugnação do edital, ressaltando que não havia sido apresentado o estudo de impacto ambiental e que a interpretação do governo federal era "eivada de má-fé" e "não deve ser admitida pelo juízo da execução, sob pena de grave afronta e desprezo à autoridade das decisões do Tribunal Regional Federal da 1a. Região". De acordo com outro comunicado à imprensa divulgado no mês passado pelo Ministério da Infraestrutura, as obras de manutenção e conservação da pista foram retomados em 3 de julho — indicando uma preparação para a pavimentação. A nota relatava que houve um pedido de suspensão de tutela provisória feito pela Procuradoria Federal Especializada ao Tribunal Regional Federal, possibilitando o reinício dos trabalhos. "O Ministério Público agiu com base em relatório do Ibama, entendendo que o DNIT estava executando obras, e não apenas serviços de manutenção/conservação licenciados. O entendimento foi contestado pelo superintendente regional do DNIT", informou o órgão. Em nota, o órgão enfatizou que as obras que estão sendo realizados não são de "reconstrução", mas sim de "manutenção". "Os serviços [em andamento] não contemplam a reconstrução da rodovia, mas apenas da manutenção do revestimento primário da pista, não asfaltado, substituição de bueiros e reformas de pontes de madeira, garantindo mais segurança aos usuários da BR-319", argumenta a pasta. "Em relação à reconstrução da BR-319, é importante esclarecer que o que está em processo licitatório pelo DNIT é a contratação de projeto e obra relativa exclusivamente ao trecho de 52 quilômetros denominado Lote C, entre os Km 198 e 250. Tal medida foi tomada após autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a partir de Termo de Acordo e Compromisso, viabilizando o devido licenciamento ambiental para o segmento", prossegue a nota. A reportagem solicitou um posicionamento do Ministério do Meio Ambiente, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. Mudanças na lei Um fator complicador desse imbróglio está no fato de que a rodovia original é anterior à legislação ambiental brasileira. "É importante notar que a rodovia BR-319 se diferencia de outros licenciamentos, pois quando ela foi construída, na década de 70, o governo federal ainda não tinha instituído a Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981", ressalta, em artigo publicado em seu informativo do mês de julho, o Observatório BR-319, grupo que congrega diversas ONGs ambientais que atuam na região. O mesmo texto lembra que mesma as exigências de estudos de impacto ambiental são de resolução de 1986. "É importante lembrar que tais estudos ambientais são obrigatórios por lei", cobra Ferrante. "O governo está passando por cima da legislação brasileira. É arbitrário tentar fazer a estrada dessa forma." Trecho da BR-319 durante o período da chuva, pavimentação também é cobrança antiga dos moradores da região Trechos da BR-319 vêm recebendo obras de manutenção desde 2014. A bióloga e ecóloga Adriane Esquivel Muelbert, pesquisadora na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, esteve coletando dados no entorno da BR por seis meses, em 2015 e 2016. "Já era possível notar o aumento do tráfego de carros e caminhões mesmo com trechos muito ruins", conta ela. "Com a pavimentação, aumentaria o fluxo e, consequentemente, o desmatamento ilegal." Segundo Ferrante, a região é um reconhecido "polo de exploração de madeira ilegal" e isso é um dos fatores mais preocupantes. "Está se falando em levar acessibilidade para áreas onde a principal atividade econômica é o desmatamento ilegal. Isso vai acelerar a destruição desse bloco [de floresta] e [aumenta] as emissões de carbono a partir do desmatamento da Amazônia." Estrada atrai "invasores" e prejudica suas comunidades, dizem indígenas Muelbert relata que, durante seu trabalho de pesquisa lá há cinco anos, presenciou árvores centenárias sendo extraídas em reserva florestal. "É terra sem lei. Ficamos com medo e decidimos sair porque nos sentimos ameaçados", diz. O autor da carta publicada pela Science também conta que populações indígenas da região relataram a ele preocupações com a estrada. Eles argumentam que a estrada atrai "invasores" e prejudica suas comunidades. Os locais gostariam de ser consultados sobre a viabilidade da obra. França, que pesquisa besouros na região amazônica, ressalta que rodovias costumam ser problemas para a fauna da região — seja para os grandes animais, seja para os insetos. "O atropelamento é o impacto direto que mais chama a atenção", diz. "Mas existem também os impactos por perda de habitat." Ele explica que a implementação de uma rodovia, além de retirar a cobertura de vegetação original do trecho, ainda causa a chamada fragmentação, ou seja, um ecossistema único é dividido em vários pedaços. Comunidades gostariam de ser consultadas sobre a viabilidade da estrada "Há estudos na Europa que mostram como a presença de estradas está associada à redução de diversidade genética de besouros, o que aumenta a chamada endogamia e, consequentemente, o risco de extinção", conta ele. O biólogo também lembra que são muitos os efeitos indiretos. "Os produtos químicos que são transportados ou utilizados na construção de estradas, levados pela chuva, afetam ecossistemas aquáticos", exemplifica. "Ou seja, a construção da rodovia vai muito além da floresta." "A nova pavimentação da BR-319 é uma notícia muito triste. Acredito que será uma das principais portas de entrada para o desmatamento no que resta da Amazônia brasileira", define Muelbert. Para a bióloga, a região é "completamente um deserto verde", com potencial para pesquisas científicas e descoberta de muitas espécies ainda desconhecidas. "Se o desmatamento avançar, vamos perder espécies sem nem mesmo as termos conhecido e estudado", lamenta. Repercussão Com a publicação na Science, Ferrante busca chamar a atenção da comunidade internacional para a questão. "Espero que cobrem do Brasil que a legislação seja seguida à risca, já que o país tem demonstrado graves sinais de não respeitar as normas ambientais e não estar comprometido com o desmatamento", afirma. "Que os estudos sejam realizados para evitar um dano ainda maior do que a rodovia pode gerar." Por Edison Veiga (BBC)

  • Vilhena teve mais 2 morte por covid-19 e 48 novos casos nesta sexta-feira

    O município soma 32 óbitos, sendo 27 mortes de vilhenenses e 1.807 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus Revista Imagem - Publicado em 07/08/2020 23:27 Vilhena registrou mais 2 óbito por covid-19 e 48 novos casos de covid-19 nesta sexta-feira (7). Foram 7 por RT-PCR, 37 por teste rápido, 3 por vínculo epidemiológico e 1 por análise clínica-epidemiológica. Os dados são do boletim municipal sobre o coronavírus, da Secretaria de Saúde de Vilhena. Ontem o município registrou 46 pessoas infectadas, 2 a menos que hoje. Um dos pacientes que veio a óbito tinha 88 anos. Moradora da zona rural, ela foi Internada no dia 21 de julho já com necessidade de respirador na UTI da Central de Atendimento à Covid-19. A paciente não apresentou melhora desde então, vindo a óbito hoje. O outro paciente era morador do Jardim Primavera e tinha 51 anos. Internado no domingo (2) na UTI, o paciente apresentou piora nos sintomas e teve de ser intubado no dia seguinte. Sem melhora no quadro clínico, o paciente não resistiu e veio a óbito nesta sexta-feira. Vilhena soma 32 óbitos por covid-19, sendo 27 mortes de vilhenenses e 5 óbitos de moradores de outras cidades. Já o número de casos chega a um total de 1.807 pessoas contaminadas pelo coronavírus, desde o primeiro caso descoberto há 124 dias (5 de abril). O município é o quarto do estado em número de casos confirmados da doença. Rondônia registrou até hoje 43,3 mil casos confirmados e 934 óbitos. A secretaria municipal de Saúde ainda investiga 55 casos suspeitos de contaminação. Entre os contaminados, 402 casos ainda estão ativos, já 1.378 casos são considerados curados em Vilhena. A Central de Atendimento da Covid-19 tem 11 pacientes internados, sendo 5 na UTI - o mesmo número que ontem. A taxa de ocupação de leitos de UTI da Central da Covid-19 é de 50%. Por José Antonio Sant'Ana

  • Brasil se aproxima de 100 mil mortes e tem mais 2,96 milhões de casos de covid-19

    Mais 1.079 óbitos foram registrados nas últimas 24 horas, elevando total para mais de 99 mil Revista Imagem - Publicado em 07/08/2020 22:36 Brasil registrou mais 50.230 casos confirmados de covid-19 em 24 horas Mais 1.079 óbitos foram registrados nas últimas 24 horas, elevando total para mais de 99 mil. Casos da doença passam de 2,96 milhões, após a notificação de mais 50 mil diagnósticos com resultado positivo. O Brasil registrou mais 50.230 casos confirmados de covid-19 e 1.079 mortes em 24 horas, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde divulgados nesta sexta-feira (07/08). O balanço eleva o total de infecções para 2.962.442 e o total de óbitos para 99.572. Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação. Ao todo, 2.068.394 pacientes se recuperaram da doença, e 794.476 estão em acompanhamento, segundo o Ministério da Saúde. O Conass não informa número de recuperados. São Paulo é o estado brasileiro mais atingido pela epidemia, com 608.379 casos e 24.735 mortes. O número de infectados no território paulista supera os registrados na maioria dos países do mundo, sendo menor apenas do que o contabilizado na Rússia (875 mil), na Índia (2 milhões) e Estados Unidos (4,9 milhões). A Bahia é o segundo estado brasileiro com maior número de casos, somando 187.892, e o sexto em número de mortos, com 3.843 vítimas. Já o Ceará tem 185.409 infecções e 7.921 óbitos, o que o coloca atrás do Rio de Janeiro (com 175.696 infecções e 14.023 óbitos) como o terceiro estado com mais mortes. Além São Paulo, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro, outros seis estados e o Distrito Federal registraram mais de 100 mil casos. São eles: Pará, Minas Gerais, Maranhão, Amazonas, Pernambuco e Santa Catarina. Segundo o Conass, a taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes é atualmente de 47,4 no Brasil. Apesar de estar subindo nas últimas semanas, a cifra ainda é menor do que a registrada em nações europeias duramente atingidas, como o Reino Unido (69,9), a Bélgica (86,3) e a Espanha (61). Em números absolutos, o Brasil é o segundo país do mundo com mais infecções e mortes por coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, que já acumulam mais de 4,9 milhões de casos e mais de 160 mil óbitos. Atrás de EUA e Brasil, os países mais atingidos são Índia (2,02 milhões de casos), Rússia (875 mil) e África do Sul (538 mil). Ao todo, mais de 726 mil pessoas morreram em decorrência do vírus no planeta. Depois de EUA e Brasil, os maiores números absolutos de mortes se concentram no México (50 mil), Reino Unido (46,5 mil), e na Índia (41 mil). A América Latina ultrapassou a Europa nesta sexta-feira no número de mortes por covid-19. A região registrou ao todo 213.120 óbitos pela doença, 460 a mais do que na Europa, de acordo com o levantamento da agência de notícias AFP. As previsões para os Estados Unidos indicam um cenário sombrio. Especialistas da Universidade de Washington acreditam que a epidemia de covid-19 deve matar aproximadamente 300 mil americanos até dezembro deste ano. Os pesquisadores afirmam, porém, que 70 mil vidas podem ser salvas se o uso de máscaras for respeitado. Na Europa, diversos países que haviam controlado a pandemia vem registrando aumento no número de casos. Para tentar conter a propagação da doença, a Alemanha tornou obrigatório o teste para a covid-19 para todos os viajantes que chegarem de regiões consideradas de alto risco por conta da pandemia do coronavírus. A medida entra em vigor a partir deste sábado (08/08). O exame será gratuito. Por Deutsche Welle

  • Queiroz depositou mais de 20 cheques em conta de Michelle Bolsonaro

    Depósitos que somam R$ 72 mil ocorreram entre 2011 e 2018 e contrariam versão de Bolsonaro sobre suposto empréstimo Revista Imagem - Publicado em 07/08/2020 17:28 Michelle e Jair Bolsonaro; Presidente alegou ter emprestado 40 mil reais a Queiroz O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro Fabrício Queiroz depositou 72 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente Jair Bolsonaro, entre 2011 e 2018, segundo uma reportagem da revista Crusoé. Os repasses foram descobertos com a quebra de sigilo bancário do ex-policial militar e contrariaram a versão sobre o caso apresentada pelo presidente. A quebra do sigilo bancário de Queiroz foi autorizada pela Justiça no âmbito da investigação sobre um esquema de "rachadinha" – prática ilegal através da qual os funcionários de parlamentares são coagidos a devolver parte de seus salários – no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O filho do presidente foi deputado estadual entre 2003 e janeiro de 2019, e Queiroz foi seu assessor entre 2007 e 2018. Segundo a reportagem, Queiroz depositou ao menos 21 cheques na conta de Michelle entre 2011 e 2018, em valores que somam 72 mil reais. Até agora, era conhecido apenas um repasse de 24 mil reais do ex-assessor para a esposa do presidente. Quando o caso veio à tona, no final de 2018, Bolsonaro afirmou que os repasses feitos por Queiroz a Michelle eram referentes a uma dívida de 40 mil reais que o ex-assessor tinha com o presidente. Bolsonaro alegou que os valores haviam sido depositados na conta de sua esposa por ele não ter tempo de ir ao banco. Os depósitos de Queiroz a Michelle divulgados pela Crusoé foram confirmados pelo jornal Folha de S.Paulo, que noticiou ainda que a esposa de Queiroz, Marcia Aguiar, também repassou dinheiro em 2011 para a primeira-dama, por meio de seis cheques que somaram R$ 17 mil. Com isso, os valores repassados para a primeira-dama somam R$ 89 mil, bem acima do suposto empréstimo de R$ 40 mil que Bolsonaro mencionou. Nenhum repasse de Bolsonaro a Queiroz aparece nos extratos, segundo a Crusoé. A quebra de sigilo bancário mostrou ainda que o ex-assessor movimentou em dez anos um valor bem acima de seus rendimentos. Entre 2007 e 2018, 6,2 milhões de reais em crédito foram registrados na conta de Queiroz. Deste valor, cerca de 2 milhões de reais vieram de repasses de funcionários do gabinete de Flávio, o que poderia comprar o esquema da "rachadinha". Outros 900 mil reais têm fontes não identificadas. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), Queiroz era o operador do esquema de "rachadinha" no gabinete do filho do presidente. O ex-assessor é amigo de longa data do presidente e foi por intermédio dele que conseguiu uma vaga no gabinete de Flávio. O caso da "rachadinha" Queiroz é investigado por lavagem de dinheiro, peculato, ocultação de patrimônio e organização criminosa. Ele foi preso em junho em Atibaia, interior de São Paulo, num imóvel do advogado Frederick Wassef, que até então defendia Flávio no caso da "rachadinha". Pouco após a prisão, o filho do presidente anunciou que Wassef não era mais seu advogado. Em julho, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) concedeu a Queiroz o benefício de prisão domiciliar. Em meados de maio, a Polícia Federal afirmou que iria investigar a afirmação feita pelo empresário Paulo Marinho de que o senador Flávio Bolsonaro foi informado com antecedência de que a Operação Furna da Onça, que atingiu Queiroz, seria deflagrada. Marinho é suplente de Flávio no Senado, pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSDB e foi uma figura importante na campanha presidencial de Bolsonaro. A Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato, foi deflagrada em novembro de 2018. Flávio teria revelado a Marinho em 13 de dezembro de 2018 que soube antes da operação. À época, Queiroz estava sumido, e Flávio disse a seu suplente que mantinha contato indireto com Queiroz por meio de um advogado. Em 6 de dezembro de 2018, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), um órgão do Ministério da Fazenda, detectou uma série de operações bancárias suspeitas de mais de sete dezenas de assessores e ex-assessores da Alerj. O documento foi produzido no âmbito da Furna da Onça. Na lista constava o nome de Queiroz. O ex-assessor, que também é amigo de Jair Bolsonaro desde a década de 1980, logo passaria a ser personagem central da primeira crise do novo governo. Segundo o relatório inicial do Coaf, Queiroz, que morava em um apartamento simples em um bairro de classe média baixa do Rio, movimentou 1,2 milhão de reais em um período de 12 meses entre 2016 e 2017, época em que estava lotado no gabinete de Flávio. O documento apontou que as movimentações eram "incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional" de Queiroz. O mesmo relatório detalhou as operações bancárias realizadas pelo ex-assessor. Entre elas estava o depósito de um cheque de 24 mil reais na conta da esposa de Bolsonaro, Michelle Bolsonaro. No total, Queiroz sacou dinheiro em 176 oportunidades, em 14 bairros do Rio. Vários dos saques eram idênticos e fracionados, o que levantou suspeitas de tentativa de ocultação. O relatório ainda citou a filha de Queiroz, Nathalia Melo de Queiroz, que foi beneficiada pelos recursos movimentados pelo pai. Nathalia foi funcionária do gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro entre dezembro de 2016 e outubro de 2018. Em março de 2019, Queiroz quebrou o silêncio, oferecendo à Justiça pela primeira vez explicações sobre as suspeitas de corrupção que pairavam sobre ele. O ex-assessor disse ao Ministério Público que recolhia parte dos salários de servidores do gabinete, mas negou ter se apropriado dos valores. Segundo a explicação que Queiroz prestou por escrito ao MP-RJ, o dinheiro recolhido dos funcionários do gabinete era usado para contratar assessores informais e "expandir a atuação parlamentar" de Flávio nas bases eleitorais. O ex-assessor também afirmou que Flávio não sabia do esquema. Apesar das declarações, as investigações apontam que parte das despesas pessoais de Flávio teriam sido quitadas por Queiroz em dinheiro vivo, com recursos desviados no esquema da "rachadinha". Por Deutsche Welle

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