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  • Brasil registra 23 mil novos casos de covid e 620 mortes no domingo

    OMS afirma que mundo bateu novo recorde de casos em 24 horas Revista Imagem - Publicado em 17/08/2020 07:27 A taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes é atualmente de 51,3 no Brasil O Brasil registrou neste domingo (16/08) um total de 23.101 novos casos confirmados de coronavírus e mais 620 mortes, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde. O balanço eleva o total de infecções para 3.340.197 e o total de óbitos, para 107.852. Ao todo, 2.432.456 pessoas se recuperaram da doença, e 799.889 estão em acompanhamento, segundo o ministério. O Conass não divulga número de recuperados. Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais de casos e mortes devem ser ainda maiores no país, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação. As cifras reportadas no fim de semana também costumam ser mais baixas, já que equipes responsáveis pela notificação funcionam em escala reduzida. São Paulo é o estado brasileiro mais atingido pela epidemia, com 699.493 casos e 26.852 mortes. O número de infectados no território paulista supera os registrados em quase todos os países do mundo, exceto Estados Unidos, Índia e Rússia. A Bahia é o segundo estado brasileiro com maior número de casos, somando 216.030, mas fica atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Pará em número de mortos, com 4.406. O Ceará é o terceiro em número de infecções, com 197.619, seguido do Rio, que tem 194.279 casos. Com 14.562 óbitos, o Rio é o segundo estado com mais mortos. A taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes é atualmente de 51,3 no Brasil – cifra bem acima da registrada em países vizinhos como a Argentina (12,67) e o Uruguai (1,10), considerados exemplos no combate à pandemia. Por outro lado, nações europeias duramente atingidas, como o Reino Unido (70,37) e a Bélgica (86,98), ainda aparecem bem à frente. Esses países começaram a registrar seus primeiros casos antes do Brasil, e o número de óbitos diários está atualmente na faixa das dezenas, com o pico tendo sido registrado em abril e maio. O vírus atingiu em cheio a cúpula do governo brasileiro, tendo infectado uma série de ministros e o presidente Jair Bolsonaro. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que também contraiu a doença, anunciou neste domingo que já está curada. Diagnosticada com covid-19 em 30 de julho, ela compartilhou em rede social o resultado de seu exame mais recente, que deu negativo. Já Bolsonaro anunciou que testou positivo em 7 de julho e permaneceu em isolamento no Palácio da Alvorada até 25 de julho, quando informou estar recuperado. Também neste fim de semana, o Brasil completou três meses sem um ministro da Saúde. O posto vem sendo ocupado interinamente desde 15 de maio pelo general Eduardo Pazuello, que não tinha experiência na área e indicou militares para quase todos os postos-chave do ministério. Na sua gestão, as mortes e novas notificações de casos dispararam no país. Foram mais de 90 mil novos óbitos e mais de 3 milhões de casos registrados desde que a pasta passou a ser gerida por Pazuello e outras dezenas de militares. Na prática, o ministério, sob os militares, vem referendando sem questionamentos as diretrizes de Bolsonaro, que é contra medidas amplas de isolamento social e que promove a cloroquina como uma "cura" contra a covid-19, mesmo sem embasamento científico. Sob a intervenção pessoal do presidente e do Exército, a pasta também tentou esconder os números da epidemia no início de junho, mas voltou atrás após ordem do Supremo Tribunal Federal. Em números absolutos, o Brasil é o segundo país do mundo com mais infecções e mortes por coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, que já acumulam mais de 5,3 milhões de casos e mais de 169 mil óbitos. No sábado à noite, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o mundo bateu um novo recorde de casos de covid-19 em 24 horas. Foram quase 300 mil novas infecções, puxadas principalmente pelos Estados Unidos, Brasil e Índia. Ao todo, mais de 21,5 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus em todo o planeta, enquanto mais de 772 mil pessoas morreram em decorrência da doença, segundo contagem mantida pela Universidade Johns Hopkins. Por Deutsche Welle

  • Vilhena registra 8 novos casos de covid-19 no domingo e soma 2.098 casos

    Município soma 37 mortes pela doença, 31 delas de moradores da própria cidade Revista Imagem - Publicado em 17/08/2020 07:18 Vilhena registrou 8 novos casos de covid-19 neste domingo (16). Os dados são do boletim municipal sobre o coronavírus, da Secretaria de Saúde de Vilhena. O município soma 37 óbitos por covid-19, sendo 31 mortes de vilhenenses e 6 óbitos de moradores de outras cidades. Já o número de casos registrados chega ao total de 2.116 pessoas contaminadas pelo coronavírus, desde o primeiro diagnóstico há 133 dias (5 de abril). O município é o quarto do estado em número de casos confirmados da doença. Rondônia registrou até hoje 47,8 mil casos confirmados e 1.013 óbitos. A secretaria municipal de Saúde ainda investiga 172 casos suspeitos de contaminação. Entre os contaminados, 296 casos ainda estão ativos. Já 1.779 casos são considerados curados em Vilhena. A Central de Atendimento da Covid-19 tinha 11 pacientes internados, sendo 4 na UTI - 1 a menos que no dia anterior. A taxa de ocupação de leitos de UTI da Central da Covid-19 é de 40%. Por José Antonio Sant'Ana

  • Sem resultados de covid-19 neste sábado, Vilhena fica com dados estagnados

    Município soma 37 mortes pela doença, 31 delas de moradores da própria cidade, e 2.098 pessoas contaminadas pelo coronavírus Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 21:10 A secretaria municipal de Saúde de Vilhena não recebeu resultados de exames de covid-19 neste sábado (15). Portanto, segundo o boletim municipal sobre o coronavírus, da Secretaria, Vilhena continua com 37 óbitos por covid-19, sendo 31 mortes de vilhenenses e 6 óbitos de moradores de outras cidades. Já o número de casos registrados é de 2.098 pessoas contaminadas pelo coronavírus, desde o primeiro diagnóstico há 132 dias (5 de abril). O município é o quarto do estado em número de casos confirmados da doença. Rondônia registrou até hoje 47,26mil casos confirmados e 1.011 óbitos. A secretaria municipal de Saúde ainda investiga 184 casos suspeitos de contaminação. Entre os contaminados, 288 casos ainda estão ativos. Já 1.779 casos são considerados curados em Vilhena. A Central de Atendimento da Covid-19 tem 9 pacientes internados, sendo 5 na UTI. A taxa de ocupação de leitos de UTI da Central da Covid-19 é de 50%. Já a ocupação total de leitos é de 15%, a menor dos últimos 25 dias. Por José Antonio Sant'Ana

  • Brasil teve 41,5 mil novos casos e 709 mortes por covid-19 neste sábado

    País supera 3,3 milhões de infectados pelo novo coronavírus e 107 mil óbitos ligados à doença. Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 22:15 O Brasil registrou neste sábado (15) um total de 41.576 novos casos confirmados de coronavírus e mais 709 mortes em decorrência da doença, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde. O balanço eleva o total de infecções para 3.317.096 e o total de óbitos para 107.232. Ao todo, 2.404.272 pessoas se recuperaram da doença, e 805.592 estão em acompanhamento, segundo o ministério. O Conass não divulga número de recuperados. Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais de casos e mortes devem ser ainda maiores no país, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação. As cifras reportadas no fim de semana também costumam ser mais baixas, já que equipes responsáveis pela notificação funcionam em escala reduzida. São Paulo é o estado brasileiro mais atingido pela epidemia, com 697.530 casos e 26.780 mortes. O número de infectados no território paulista supera os registrados em quase todos os países do mundo, exceto Estados Unidos, Índia e Rússia. A Bahia é o segundo estado brasileiro com maior número de casos, somando 214.379, mas fica atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Pará em número de mortos, com 4.338. O Ceará segue em terceiro em número de infecções, com 197.381, seguido do Rio, que tem 190.614 casos. Com 14.526 óbitos, o Rio é o segundo estado com mais mortos. Segundo o Conass, a taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes é atualmente de 51,0 no Brasil – cifra bem acima da registrada em países vizinhos como a Argentina (12,42) e o Uruguai (1,10), considerados exemplos no combate à pandemia. Por outro lado, nações europeias duramente atingidas, como o Reino Unido (70,37) e a Bélgica (86,88), ainda aparecem bem à frente. Esses países começaram a registrar seus primeiros casos antes do Brasil, e o número de óbitos diários está atualmente na faixa das dezenas, com o pico tendo sido registrado em abril e maio. Neste sábado, o Brasil completa três meses sem um ministro da Saúde. O posto vem sendo ocupado interinamente desde 15 de maio pelo general Eduardo Pazuello, que não tinha experiência na área e indicou militares para quase todos os postos-chave do ministério. Na sua gestão, as mortes e novas notificações de casos dispararam no país. Foram mais de 90 mil novos óbitos e mais de 3 milhões de casos registrados desde que a pasta passou a ser gerida por Pazuello e outras dezenas de militares. Na prática, o ministério, sob os militares, vem referendando sem questionamentos as diretrizes de Bolsonaro, que é contra medidas amplas de isolamento social e que promove a cloroquina como uma "cura" contra a covid-19, mesmo sem embasamento científico. Sob a intervenção pessoal do presidente e do Exército, a pasta também tentou esconder os números da epidemia no início de junho, mas voltou atrás após ordem do Supremo Tribunal Federal. Em números absolutos, o Brasil é o segundo país do mundo com mais infecções e mortes por coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, que já acumulam mais de 5,3 milhões de casos e mais de 169 mil óbitos. Ao todo, mais de 21,8 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus em todo o mundo, enquanto mais de 767 mil pessoas morreram em decorrência da doença, segundo a contagem mantida pela Universidade Johns Hopkins. Por Deutsche Welle

  • OPINIÃO| Opiniões contrárias

    Revista Imagem | 15/08/2020 09:00 | Por Guilherme Augusto de Carvalho Faz alguns anos que sou músico, já gravei CD e toquei em muitos lugares, levando música e uma mensagem positiva para muitas pessoas. Foi um tempo muito bom, retirei deste período muito aprendizado. Nesta banda, tive por um bom tempo um membro que sempre discordava do que eu fazia. Qualquer coisa que eu planejasse, qualquer música ou letra que eu compusesse, ele sempre tinha uma crítica. No começo eu não gostava muito, por ser novo e inexperiente, mas com o tempo, comecei a perceber que as críticas acabavam servindo para ajustar e alinhar as ideias da banda. Era interessante ouvir a opinião contrária, isso fazia com que as decisões fossem mais equilibradas, impactando no resultado final das composições. É muito comum nos cercarmos de pessoas que concordam conosco, afinal, nem sempre todos sabem lidar com opiniões contrárias, por isso, optam pelo mais fácil, é cômodo estar entre os que concordam. A questão é que quando nos rodeamos somente de pessoas assim, deixamos de crescer, perdemos a oportunidade de ouvir um outro ponto de vista, de enxergarmos os nossos equívocos e até de aprender novas formas de fazer a mesma coisa. A discordância nos obriga a pensar, a revisitar nossas ideias e conceitos, a repensar no assunto e a procurar novas formas de executar o trabalho. O autor Haddon W. Robinson afirma em seu livro que “as discordâncias nos forçam a verificar nossos dados e explicar os fundamentos da nossa decisão”. É muito comum não percebermos nossas contradições. É totalmente normal não olharmos nossos equívocos, principalmente quando estamos em vistas de tomar algumas decisões, por isso que, nestes casos, é sempre bom contar com a opinião de alguém de confiança e ouvir outras opiniões. Quem convive com quem discorda, pode ter em seu alcance, novos pontos de vista e usar isso a seu favor. É claro que eu não estou falando daqueles que discordam só por discordar, que no final reclamam, mas não acrescentam e sim, das pessoas que sabem refletir e possuem opinião própria e boas ideias. Aprenda a ouvir opiniões contrárias e a refletir sobre o que é dito, para depois tirar alguma lição. Descubra o poder de ouvir e de como muitas vezes podemos fazer a mesma coisa, porém de formas diferentes. Quem ouve apenas o que quer, não cresce e muito menos percebe suas contradições. Agora quem sabe ouvir, não só aprende, mas descobre muitas outras possibilidades que até então ele pode não ter percebido. *Guilherme Augusto de Carvalho é professor dos cursos de Filosofia e Teologia do Centro Universitário Internacional Uninter.

  • OPINIÃO| As redes sociais são as novas vitrines?

    Revista Imagem | 15/08/2020 08:55 | Por Juan D'Antiochia O comércio nas redes sociais é uma modalidade em evolução que ainda não chegou nem perto de atingir todo o seu potencial. Já faz tempo que marcas, comerciantes digitais e plataformas sociais reconhecem as possibilidades das redes, que estão emergindo como um canal de vendas dinâmico graças a sua natureza altamente visual e social, além de experiências excepcionais no mobile. A redução de atrito torna as compras mais fáceis e rápidas para os consumidores e proporciona taxas de conversão e ROI mais altas para as marcas. Métodos de pagamento rápidos, simples e seguros são essenciais para garantir que as interações nas redes sociais sejam convertidas em vendas. Reduzir o espaço entre a descoberta de um produto e a conversão significa uma constante “última milha digital”. Para prosperar, as opções de pagamentos aceitas nas redes devem ser variadas, minimizando o atrito. Além disso, lojistas devem oferecer check-out otimizado para dispositivos móveis e financiamento flexível. A China está liderando o comércio nas redes sociais graças à preferência dos consumidores locais por navegar na Internet usando smartphones. Tendo ultrapassado amplamente a era dos computadores desktop, os usuários chineses migraram em direção aos “Super Apps”. De acordo com o Global Payments Report, da Wordpay from FIS, apenas o WeChat possui mais de um bilhão de usuários registrados somente na China. Os "Super Apps" consolidam várias funções de aplicativos em uma única plataforma, onde os usuários fazem de tudo sem precisar sair do aplicativo, desde reservar voos e hotéis até socializar com os amigos. As compras em redes sociais também são populares entre os consumidores brasileiros. Uma pesquisa da Qualibest mostra que 62% dos brasileiros já compraram através de redes sociais, sendo os grupos de Facebook e WhatsApp as plataformas mais populares. Em 2019, o Instagram ativou a função 'Checkout no Instagram', que permite aos consumidores comprar produtos por meio de um story ou publicação, sem sair do aplicativo. O Snapchat também oferece uma funcionalidade semelhante, o "Shop and Cop". Consequências da pandemia de COVID-19, como lojas fechadas e a necessidade de manter o distanciamento social, devem fazer mais popular não apenas o comércio via redes sociais, mas qualquer canal de vendas digital. Recentemente, a rede social TikTok, o segundo aplicativo mais baixado no mundo em 2019, adicionou um botão "Comprar Agora" para levar os usuários diretamente de seus vídeos aos sites de comércio eletrônico dos anunciantes. Embora a funcionalidade ainda não esteja disponível para os 7,3 milhões de usuários do Brasil, a tendência é clara: plataformas de redes sociais são um novo canal de compra online. Sobre os dados: Os números citados foram obtidos a partir de dados publicados Worldpay from FIS Global Payments Report, salvo quando indicado o contrário. Para metodologia de pesquisa, consulte a página 128 do relatório. *Juan D'Antiochia é Gerente Geral para eCommerce Global, Latam, Worldpay Soluções para Comerciantes, FIS

  • OPINIÃO| O Centrão e os presidentes

    Revista Imagem | 15/08/2020 08:50 | Por Luiz Domingos Costa e André Frota Quando o Presidente da República carece de uma base parlamentar sólida, o Congresso torna-se dominante no processo político nacional. Foi assim com o segundo mandato de Dilma, com Temer e agora com Bolsonaro. E quando o parlamento é fragmentado, não há um partido capaz de levar o trabalho sozinho, surge uma frente suprapartidária com uma miríade de partidos para formar maioria e determinar o conteúdo das decisões nacionais. Essa frente no Brasil é o Centrão. Sua proeminência na política nacional vem se dando sobre os últimos três presidentes, todos desprovidos de coalizões de apoio disciplinadas, ainda que por razões distintas. Fato que não ocorreu durante os mandatos de Fernando Henrique, Lula e Dilma I, presidentes que governaram por coalizão, com apoio popular e controle sobre a agenda parlamentar. A partir do segundo governo Dilma, se estabelece um relacionamento precário do Executivo com os líderes dos partidos aliados na Câmara dos Deputados. O ponto de virada da força parlamentar sobre o governo foi a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, em 2015, e o ápice foi a votação do impeachment, em abril de 2016. Por suas próprias mãos, Dilma perdeu o apoio parlamentar do qual desfrutara no primeiro mandato, por conta de erro de cálculo na eleição da presidência da Câmara, mas também pela perda do apoio popular que se deu no interior da mudança de política econômica. Dilma perdeu a maioria por falhas de coordenação política e por perda de apoio popular. O Centrão então ditou o tom das decisões nacionais durante 2015 e depois a impediu em 2016. Michel Temer, um dos artífices do impeachment, teve um governo com apoio sólido na Câmara, suficiente para somar os votos para livrá-lo de duas denúncias por organização criminosa e obstrução de justiça na Câmara dos Deputados. Entretanto, as gravações de conversas com Joesley Batista e o agravamento da crise econômica jogaram a avaliação positiva do governo em incríveis 3%. Como o Centrão o apoiou com esse patamar? Aqui houve uma convergência de interesses: Temer e o Centrão compartilhavam de preferências quanto ao enfraquecimento da Lava-Jato. Como as denúncias da Procuradoria Geral da República minavam o seu respaldo popular, o presidente cedeu o controle do executivo para o Centrão em troca da conclusão do seu mandato. Por origem e por necessidade, a agenda de Temer foi a agenda da mediana do parlamento. E essa mediana é o Centrão. No governo de Jair Bolsonaro a força do Centrão tem causas diferentes. Nasce da decisão presidencial de não montar base de apoio partidária e procurar governar pela barganha com as bancadas temáticas, especialmente a do agronegócio, a da flexibilização do porte de armas das igrejas evangélicas. Entretanto, em 2019, as decisões relevantes foram ditadas pelo Centrão, que atuou como fiel da balança para a agenda substantiva do executivo, como a reforma da previdência, o pacote anti-crime e os esforços para liberalização do porte de arma. O mesmo ocorreu agora, nas decisões econômicas emergenciais durante a pandemia, foi o Congresso, Centrão à frente, que atuou para determinar o conteúdo das medidas. A aproximação de Bolsonaro em direção ao Centrão, desde abril último, para a qual a saída de Sérgio Moro do governo foi parte fundamental, não parece reordenar a dinâmica entre o presidente e o Centrão para aprovação da agenda bolsonarista. Antes, parece funcionar como um escudo contra as possíveis tentativas de impeachment. O governo foi derrotado em todos os pontos da PEC do Fundef, mas conseguiu fazer o impeachment sumir da agenda política. Esses casos demonstram como o Centrão de Bolsonaro tem um caráter defensivo e não afirmativo. *Luiz Domingos Costa e André Frota são professores e integram o Observatório de Conjuntura do Grupo Uninter

  • Guinada social de Bolsonaro tende a desidratar 'memória do lulismo', diz antropóloga

    Segundo Rosana Pinheiro-Machado, lançamento do Renda Brasil dá musculatura à reeleição de presidente Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 08:45 O avanço de Jair Bolsonaro sobre a área social, foco dos governos petistas, com o lançamento de um novo programa de transferência de renda, tende a desidratar ainda mais a "memória do lulismo" entre as camadas mais pobres da população ao mesmo tempo em que dá musculatura à sua reeleição. Essa é a opinião da antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora do Departamento de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Bath, no Reino Unido, e autora do livro Amanhã vai ser maior (Editora Planeta, 192 pp, 2019), em que investiga o período que vai das Jornadas de Junho de 2013 até a vitória de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018. Pinheiro-Machado é um estudiosa do bolsonarismo e vem pesquisando, desde as últimas eleições, como moradores de periferias do Sudeste e Sul do Brasil, antes eleitores do PT, se converteram a apoiadores de Bolsonaro. Segundo ela, há um tripé que sustenta o bolsonarismo, formado por "punitivismo, família e assistência social". "O punitivismo se refere à abordagem de Bolsonaro sobre segurança pública. Já a família são os valores e costumes conservadores, que se aliam à base religiosa. Por fim, a assistência social se manifesta nas políticas de transferência de renda", diz ela. Pinheiro-Machado acrescenta que o último eixo, o da assistência social, que nunca foi o forte do atual governo, ganha força agora, com a concessão do auxílio emergencial e o lançamento do plano Renda Brasil. "O lulismo já havia perdendo memória nas camadas mais pobres da população e isso deve se acentuar ainda mais agora", assinala ela. "O dinheiro do auxílio emergencial, por exemplo, já muda a vida de muitas pessoas - e dinheiro significa autonomia", acrescenta. Ela ressalva, no entanto, que esse fenômeno é regionalizado e não pode ser observado de forma homogênea entre todas as periferias do Brasil. As zonas mais carentes do Nordeste, onde o lulismo é mais forte, precisam ser acompanhadas com mais atenção, acrescenta. Contexto da pandemia Anunciado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em junho, o Renda Brasil é um programa de renda mínima permanente, com a unificação de vários programas sociais, incluindo o Bolsa Família. De acordo com Guedes, devem ser incluídos no programa os 38 milhões de beneficiários do auxílio emergencial, de três parcelas de R$ 600, pago em razão da pandemia de covid-19. "Aprendemos durante toda essa crise que havia 38 milhões de brasileiros invisíveis e que também merecem ser incluídos no mercado de trabalho", disse ele na ocasião, durante reunião ministerial coordenada por Bolsonaro. A mais nova pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada na sexta-feira (14/08), sustenta a análise de Pinheiro-Machado. A sondagem mostra que a aprovação a Bolsonaro subiu e é a melhor desde o início do mandato. Segundo o levantamento, 37% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom, frente a 32% do anterior, realizado em 23 e 24 de junho. Houve uma queda ainda maior na rejeição ao governo. Anteriormente, consideravam ruim e péssimo 44% dos entrevistados. Agora, são 34%. Já 27% consideram o governo regular, ante 23% em junho. Foram entrevistadas 2.065 pessoas por telefone nos dias 11 e 12 de agosto. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou menos. Mas mesmo no Nordeste, um reduto oposicionista, a rejeição a Bolsonaro caiu de 52% para 35%. Ali, ele tem sua pior avaliação: somente 33% consideram seu governo ótimo e bom, alta de seis pontos em relação a junho. A correlação com a distribuição do auxílio de R$ 600 é sugerida, ainda que não direta. No Nordeste, onde vive quase um terço da população brasileira, 45% dos moradores recorreram ao benefício. Mudança de tom Pinheiro-Machado também faz coro com outros especialistas de que Bolsonaro "mudou de tom" recentemente. Desde a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, investigado no caso das "rachadinhas" e elo entre o gabinete do hoje senador e milícias no Rio de Janeiro, o presidente vem diminuindo as aparições públicas e incitando menos os apoiadores radicais. Além disso, também vem estreitando laços com os partidos do chamado "centrão", distribuindo cargos e verbas em troca de apoio. Reeleição Na visão de Pinheiro-Machado, Bolsonaro caminha para fortalecer suas chances de reeleição, ao ter o apoio das massas via programas sociais e das elites, com a agenda liberal de Paulo Guedes. Porém, o manejo da pandemia de coronavírus pode frustrar seus planos, ressalva. "Tudo vai depender de como será a gestão da crise daqui para frente. Se continuar morrendo muita gente, aos milhares, isso pode se tornar um calcanhar de Aquiles para Bolsonaro e prejudicar sua reeleição", conclui. Por Luis Barrucho (BBC)

  • FCV revela atividades para reativação da Casa de Rondon em Vilhena

    Ação envolve projeto de pesquisa sobre a história da telecomunicação no Norte do país através da Comissão Rondon Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 08:40 A Fundação Cultural de Vilhena (FCV) desenvolve amplo projeto de pesquisa sobre a história do posto telegráfico instalado pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, realizando um levantamento de pontos primordiais e traçando a linha do tempo da memória do marco zero do município. O principal objetivo da ação é a reativação da Casa de Rondon, atualmente em obras de restauração com recursos do Ministério do Turismo. “Para muitos vilhenenses a Casa de Rondon ficou marcada na memória como um museu-zoológico onde muitas famílias na década de 80 se reuniam aos finais de semana para visitar. Era um grande cartão de visitas, um ponto turístico do município. Mas, algo que muitas vezes não é comentado e nem ensinado para os mais jovens é que o posto telegráfico foi inaugurado com a vinda da Comissão Rondon, para ampliar as telecomunicações do Norte. Então, nós temos uma história muito relevante, com muitos detalhes à serem relembrados e revisitados para contar”, explica Kátia Valéria. Dessa forma, a FCV trabalha com parceiros que poderão colaborar com a iniciativa através de textos detalhados sobre as principais ações da Comissão de Rondon, que “interligou” o Norte com o restante do país. A Prefeitura junto a Fundação, pede para que as pessoas que tiverem acesso ao acervo que foi retirado do local que façam a devolução dessas peças a fim de contribuir com a construção do acervo do museu. Nesta semana a equipe da Fundação esteve no local para vistoriar o andamento das obras e também verificar quantos itens de acervo ainda estão no local. O trabalho de resgate deverá render diversas exposições permanentes e temporárias no espaço após a abertura do museu. Na última quinta-feira, dia 13, Kátia Valléria deixou o cargo de presidente da Fundação Cultural de Vilhena, a seu próprio pedido para se dedicar à família e projetos pessoais. A partir desta sexta-feira, assumiu a presidência a servidora da FCV e artesã Hurby Santos. “Daremos encaminhamento em todos os projetos da Katia. Tudo que ela fez será continuado. A prioridade neste momento, na Casa de Rondon, é restaurar o totem em frente à casa e recuperar as peças que estão ao fundo. Estamos dando atenção à lei Aldir Blanc nas últimas semanas e em breve poderemos nos dedicar mais para, inclusive, fazer registro histórico a partir de contato com a família Zonoecê, pioneira do local há décadas”, explica Hurby. Por Herbert Weil

  • Debandada: Por que auxiliares de Paulo Guedes estão abandonando o barco?

    Se antes pareciam saídas pontuais, o desembarque de mais dois auxiliares importantes do ministro da Economia demonstra crise interna Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 08:35 Se antes pareciam saídas pontuais por motivos particulares, o desembarque de mais dois auxiliares importantes do ministro da Economia, Paulo Guedes, compôs o que o próprio chamou de “debandada”. Desde o início do governo deixaram seus cargos Joaquim Levy (BNDES), Marcos Cintra (Receita Federal), Marcos Troyjo (Comércio Exterior), Rubem Novaes (Banco do Brasil), Caio Megale (Fazenda), e Mansueto Almeida (Tesouro Nacional). A crise interna na pasta econômica do governo Bolsonaro (sem partido) se agravou nesta semana com a saída de Salim Mattar, secretário especial de desestatização, e Paulo Uebel, responsável pela secretaria especial de desburocratização. “Hoje houve uma debandada? Hoje houve uma debandada”, disse Guedes a jornalistas nesta terça-feira (11). “Salim falou: ‘A privatização não está andando, prefiro sair’. Uebel disse: ‘A reforma administrativa não está sendo enviada, prefiro sair’. Esse é o fato, essa é a verdade.” Nesta quarta-feira (12), Bolsonaro publicou no Facebook um texto em defesa das privatizações e do teto de gastos públicos. Há uma série de fatores envolvendo a saída dos auxiliares de Guedes, como reformas emperradas no Congresso ou engavetadas pelo presidente Bolsonaro, falta de vontade de política para privatizar, embate entre rigor fiscal e de ampliação de gastos públicos, disputas com o campo político, projetos que não saem do papel, recessão econômica, cultura do compadrio em Brasília e a crise fiscal agravada pela pandemia de covid-19. A atual debandada é, para alguns analistas políticos, um marco de virada na trajetória econômica que começou com a agenda liberal defendida por Guedes ainda na campanha eleitoral, a exemplo do plano de vender todas as estatais, algo rejeitado desde as eleições pelo próprio Bolsonaro, cujo perfil estatista despertava desconfianças sobre quão liberal seria seu governo. Ao longo do mandato, promessas e previsões do ministro da Economia, que falava em crescimento anual de até 5% depois da aprovação da reforma da Previdência e déficit zero em um ano, confrontaram-se com a deterioração econômica do país, que passou de crescimento fraco em 2019 (de 1,1% do PIB) para recessão em 2020, com queda projetada de 11% do PIB no segundo trimestre em meio à crise do coronavírus. A mudança do debate sobre a política econômica também foi influenciada pela busca por medidas para conter o estrago econômico da pandemia. Como de costume no Executivo, parte do governo Bolsonaro defende a manutenção do rigor fiscal com o teto de gastos e a dívida pública, por exemplo. Outra corrente prega aumento dos gastos públicos como estratégia de crescimento econômico. Três dos principais debates no governo atualmente, aliás, passam por ampliação do Bolsa Família, auxílio emergencial da pandemia e criação de um tributo para transações digitais, uma espécie de nova CPMF. Enfraquecido, Guedes nega que vá deixar o cargo e prepara o anúncio de mais um programa econômico. Em dezembro de 2019, ele reclamou de “fake news” sobre supostas mudanças em sua equipe. “Nosso time está unido, não sei de onde vem esse negócio que há uma briga e tem gente pensando em sair. Não entendo isso.” Três dos quatro citados nominalmente à época pelo ministro já deixaram o governo. Salim Mattar e as privatizações que não saem do papel Dono da empresa Localiza, de aluguel de veículos, Mattar chegou ao governo com a missão de tocar o gigantesco plano de privatizações prometido desde a campanha eleitoral de 2018. Naquela época, então assessor econômico do candidato presidencial, Guedes defendia a privatização de todas as empresas estatais. Pouco depois de assumir, o já ministro afirmou em março de 2019 que a desestatização renderia mais de R$ 1 trilhão para os cofres públicos. Desde o início havia resistência política, inclusive de Bolsonaro, contra a venda de estatais, a exemplo das três principais: Banco do Brasil, Petrobras e Caixa. Mas houve pouco avanço nessa seara, em grande parte comandada pelo BNDES. Em julho deste ano, Mattar afirmou que o governo federal pretendia privatizar ou conceder à iniciativa privada 12 estatais no primeiro semestre de 2021. Uma delas seria a Eletrobras, venda que está nos planos de desestatizações em Brasília desde o governo Temer, mas ainda não saiu do papel. As negociações sobre o modelo de privatização estão em curso com o Congresso. Até agora, segundo Mattar, a venda de subsidiárias e empresas coligadas a estatais rendeu R$ 150 bilhões ao erário, incluindo a venda da BR Distribuidora por R$ 86 bilhões. Mas o grosso da privatização ainda está em fase de estudo. A crise econômica agravada pela pandemia de covid-19 atrapalhou o cronograma de desestatização do governo federal, mas Mattar afirmou que esse não é o único motivo para sua saída. “Existe uma coisa que se chama vontade política. Estou dizendo que, na política, não há uma vontade política de fazer desestatizações”, afirmou ele, em entrevista à CNN Brasil. Segundo Mattar, o establishment dificulta o processo porque discorda das privatizações e a burocracia estatal torna a desestatização muito mais demorada. A venda dos Correios, por exemplo, levaria no mínimo dois anos até ser concretizada. Paulo Uebel e a reforma administrativa emperrada Outro pilar do programa liberal de Paulo Guedes é uma reforma administrativa também com redução do papel do Estado para reequilibrar a situação fiscal, entre outros objetivos. Secretário de desburocratização, Uebel tentava atrair apoio dentro do governo para a reestruturação do serviço público, mas a forte resistência do funcionalismo levou à desidratação da proposta desde a sua gestação. Propostas que geram desgastes com aliados e apoiadores, como a redução de salários de servidores públicos, devem ficar de fora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que ainda nem foi enviada ao Congresso. As mudanças também não devem atingir aqueles que já estão contratados. Há debate sobre mudanças de estatutos de categorias, concursos públicos, estabilidade e disparidade salarial dentro do funcionalismo. Mas o projeto de reforma administrativa acabou perdendo força dentro do governo federal mesmo antes do agravamento da situação econômica durante a pandemia. Guedes havia recuado no alcance da proposta diante da forte resistência do Congresso e da ala política do Executivo. Adiada diversas vezes, a PEC é aventada desde fevereiro, mas não se sabe se o texto chegará ao Congresso neste ano. Mansueto Almeida e o teto de gastos ameaçado Secretário do Tesouro Nacional desde o governo Temer, o especialista em contas públicas Mansueto Almeida era até sua saída um dos principais defensores da manutenção do teto de gastos públicos, criado em 2016 para evitar que o governo federal gaste mais do que arrecada ou amplie sua previsão orçamentária acima da inflação. E desde então o mecanismo previsto para durar duas décadas é alvo de disputa no Executivo e no Legislativo. Para um lado, mudanças no teto de gastos abririam espaço na economia para investimentos e estímulos a pessoas físicas e jurídicas durante a pandemia, além de evitar um eventual “apagão de serviços públicos” no país. Mas críticos da proposta, entre eles Mansueto Almeida, afirmam que flexibilizar o teto levaria ao descontrole da dívida pública e ao aumento dos juros no país, o que agravaria a crise. A aprovação de despesas que agravam o rombo nas contas públicas, como o aumento do BPC (benefício pago a idosos e pessoas de baixa renda com deficiência), ampliaram o desgaste de Almeida no cargo. Só que, no contexto de pandemia, a restrição orçamentária capitaneada por Almeida se tornou um grande obstáculo para gastos contra os efeitos da crise econômica. O principal deles é o pagamento do auxílio de R$ 600, que o governo Bolsonaro não sabe se acaba com ele ou o mantém, dado o impacto econômico significativo na população e nos índices de popularidade do presidente. Como a pandemia não dá sinais de arrefecimento e a vantagem imediata do auxílio sobre a popularidade do presidente tem se mostrado considerável, assegurar o benefício emergencial ganhou primazia sobre pautas do campo liberal, como as privatizações. Mas não só, enquanto Paulo Guedes e seus auxiliares queriam cortar gastos e enxugar o Estado, a gestão Bolsonaro tem dado sinais de que fará exatamente o contrário, com apoio a ala militar. Almeida pediu demissão do Tesouro Nacional em junho e passou em quarentena obrigatória para quem ocupa cargos públicos estratégicos. Em janeiro de 2021, passará a ser sócio e economista-chefe do banco BTG Pactual. Por BBC News

  • Os desafios urgentes para o Brasil "passar de ano" na educação

    Com 1,5 milhão de crianças sem creches e 11 milhões de analfabetos, erradicar analfabetismo absoluto e funcional é um desafio Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 08:30 Alguns dias antes da posse do novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, em 16 de julho, um relatório oficial voltou a jogar luz sobre os desafios das escolas brasileiras para atingir patamares adequados de inclusão e de ensino de qualidade — desde um significativo déficit de vagas na educação infantil até a dificuldade em manter os adolescentes na escola e com alto nível de aprendizagem. Esses desafios constam do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em lei em 2014 pelo Congresso e que estabelece um conjunto de 20 metas e submetas para o ensino no Brasil, a serem cumpridas entre 2015 e 2024. Essas metas abrangem, por exemplo, a universalização do ensino, a erradicação do analfabetismo e valorização da carreira de professores. As metas são monitoradas por 57 indicadores. Deles, apenas 7 (ou 13,4%) foram cumpridos até agora, segundo o relatório do governo. Em 41 indicadores (ou 73% do total), passou-se da metade do patamar previsto pela meta (veja mais detalhes abaixo), segundo um relatório de monitoramento divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), autarquia ligada ao Ministério da Educação, no início de julho. O que pode mudar na educação com o novo Fundeb, aprovado na Câmara Pandemia deve intensificar abandono de escola entre alunos mais pobres Segundo o Inep, o "nível médio de alcance das metas está em 76,22%". "Reconhecer esses números é rejeitar a compreensão simplista que afirma que 'tudo vai mal na educação brasileira'; é reconhecer o esforço coletivo dos profissionais da educação que, mesmo que enfrentem adversidades, apostam na escola como o local da esperança e da transformação nacional", diz o relatório do Inep, destacando, porém, que "os resultados estão bastante aquém daqueles que desejamos para a educação nacional". Para a Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, entidade que também monitora em relatório o avanço do PNE, os números até agora apontam para um "descumprimento quase total da lei". "No ritmo que se tem avançado, cerca de 85% dos dispositivos (indicadores) das metas do PNE não serão cumpridos até o prazo de 2024", critica a organização em nota, em junho, acrescentando que, em alguns pontos, há estagnação ou mesmo retrocesso. Embora o ritmo lento venha desde antes do governo atual e alguns problemas sejam de longa data, críticos afirmam que, sob Jair Bolsonaro — que tem em Milton Ribeiro seu quarto ministro da Educação em um ano e meio de mandato —, o ministério vive um cenário de paralisia, com poucos projetos voltados aos problemas-chave do ensino e com baixa capacidade de execução. Em entrevista coletiva sobre o relatório, o presidente do Inep, Alexandre Lopes, disse que o cumprimento das metas do PNE exigirá também o esforço de Estados, municípios e universidades, e citou a crise financeira do país. "O MEC (Ministério da Educação) se enfraquece um pouco diante da questão fiscal que o Brasil vive", afirmou. A BBC News Brasil destaca, a seguir, alguns dos principais gargalos apontados pelo relatório do governo, que desafiam as políticas públicas do país: Mais crianças nas creches e pré-escolas A fila de espera por creches nas cidades do país ilustram um desafio nacional: ainda é preciso incluir 1,5 milhão de crianças de zero a três anos em creches até 2024. É o que prevê a Meta 1 do Plano Nacional de Educação. Em 2018, segundo o relatório do Inep, o Brasil conseguiu ofertar vagas para 35,7% das crianças nessa faixa etária (ou 3,8 milhões), e o objetivo é chegar até 50%. Esse acesso também é bastante desigual entre as crianças mais vulneráveis e as que vivem em famílias com boas condições financeiras: "A diferença no acesso (a creches) entre as crianças 20% mais ricas e as 20% mais pobres é de 25 pontos percentuais", explica à BBC News Brasil Anna Helena Altenfelder, diretora-executiva do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). A meta 1 do PNE também previa que todas as crianças de 4 e 5 anos estivessem matriculadas na pré-escola até 2016 — o que não aconteceu até hoje. Ainda faltam vagas para estimadas 330 mil crianças, segundo dados de 2018. "Também não podemos perder de vista a necessidade de garantir a qualidade do ensino para todas as crianças da educação infantil", aponta o Observatório do PNE, feito pelo movimento Todos Pela Educação. Alguns especialistas apontam que, para crianças pequenas, uma creche de má qualidade (sem estímulos e cuidados adequados) pode ser ainda pior para o desenvolvimento social e cerebral do que não estar na creche. Em contrapartida, oferecer mais vagas em instituições públicas de qualidade pode ajudar as crianças pequenas a desenvolver habilidades e funções cognitivas úteis ao longo de toda a vida. São, também, consideradas um passo importante para permitir o acesso de mães ao mercado de trabalho. A persistência do analfabetismo — absoluto e funcional O Brasil conseguiu praticamente alcançar, em 2019, uma meta que estava prevista para quatro anos antes: alfabetizar 93,5% de sua população com mais de 15 anos. Mas, na prática, ainda faltam 11 milhões de brasileiros a serem alfabetizados até 2024 — um contingente equivalente à toda a população do Estado do Paraná. E se o analfabetismo absoluto persiste, o analfabetismo funcional é ainda mais abrangente. Ser analfabeto funcional significa ser capaz de ler e escrever, mas ter dificuldade em entender e interpretar textos, em identificar ironias ou sutilezas nesses textos e em fazer operações matemáticas simples em situações cotidianas. A Meta 9 do PNE é de reduzir o índice de analfabetismo funcional pela metade nos próximos quatro anos. Como base, o Inep usa os dados de uma pesquisa do IBGE, que apontava 18,5% de analfabetismo funcional na população em 2012. O objetivo, portanto, é baixar esse índice para 9,2% até 2024. Mas alguns outros indicadores apontam que esse problema pode ser ainda mais amplo: segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) de 2018, praticamente 30% da população entre 15 e 64 anos tinha essa dificuldade em leitura e compreensão. No que diz respeito às crianças pequenas, a meta é garantir até 2024 que todas estejam alfabetizadas, no máximo, até o final da terceira série do ensino fundamental, por volta dos 8 anos de idade. Os dados mais recentes da Avaliação Nacional de Alfabetização, de 2016, apontam que apenas 45,3% das crianças nessa etapa tinham aprendizagem adequada em leitura, 66,1% em escrita e 45,5% em matemática. O Ministério da Educação, sob o governo Bolsonaro, lançou no início do ano o programa Tempo de Aprender, que prevê ações de incentivo à alfabetização para as redes estaduais e municipais que aderirem. O MEC afirma que 3.231 municípios e Estados aderiram ao programa até maio. Mas Altenfelder, do Cenpec, afirma que o programa não pode ser considerado uma política pública. "É um programa com algumas diretrizes feito em total falta de diálogo com os municípios e com a produção acadêmica nacional (sobre os processos de alfabetização)", diz. Muitos jovens fora da escola ou atrasados no ensino A cada 100 crianças brasileiras que entram no ensino fundamental, apenas 65 concluem os estudos, explica Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco. "Os que terminam já são sobreviventes", diz ele. Ou seja, ao longo dos 12 anos da educação básica, muitos alunos ficam pelo caminho — ou porque não conseguem acompanhar as aulas, porque perdem o interesse na escola ou porque precisam trabalhar, por exemplo. O custo anual da evasão escolar é de R$ 214 bilhões, ou 3% do PIB (Produto Interno Bruto), por conta do impacto do abandono nas possibilidades de emprego, renda e retorno para a sociedade das pessoas que não concluem a educação básica, segundo cálculos do economista Ricardo Paes de Barros. Especialistas temem que esse quadro de evasão escolar se agrave com a atual pandemia. Algumas metas do PNE se referem justamente a manter os jovens por mais tempo na escola e para concluir as etapas da educação na idade certa, por exemplo: - Garantir que, até 2024, 95% dos alunos concluam o ensino fundamental até os 16 anos (por enquanto, esse índice é de 75,8%, segundo dados de 2018). - Matricular todos os jovens de 15 a 17 anos na escola até 2016 (meta que já foi descumprida, uma vez que, segundo os dados mais recentes, 8,5% desses jovens ainda estão fora da escola). - Elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, para que todos tenham completado 12 anos de educação formal até 2024. A meta prevê também reduzir as diferenças entre população rural e urbana, entre negros e não negros, e aumentar o tempo de escolaridade no Nordeste do Brasil (que tem os menores índices do país). Até 2015, porém, segundo o Observatório do PNE, a escolaridade média da população do campo era de 8,3 anos; a da população do Nordeste, de 9,3 anos e a dos negros, 9,5 anos (contra 10,8 anos da média da população branca). - Garantir que, até os próximos quatro anos, 85% dos jovens estejam no ensino médio, ou seja, nas séries corretas para a sua idade. Ainda estamos longe disso: apenas 68,7% dos adolescentes dessa idade cursavam o ensino médio até 2018. O desafio, segundo o Observatório do PNE, é "tornar o ensino médio mais atrativo, com a diversificação do currículo, (...) introduzir uma melhor qualidade e equidade e reduzir as taxas de evasão na etapa". Também é um desafio colocar em prática a Base Nacional Comum Curricular do ensino médio — um conjunto de diretrizes para essa etapa que ainda não se traduziu em ações práticas nas escolas. Nesta semana, São Paulo anunciou ser o primeiro Estado ter formulado um currículo para o ensino médio tendo a base como referência, para começar a ser implementado em 2021. No geral, diz o relatório do Inep, "as questões mais preocupantes em relação à educação brasileira continuam sendo o baixo nível de aprendizado dos alunos, as grandes desigualdades e a trajetória escolar irregular, que ainda atinge porção significativa dos estudantes das escolas públicas brasileiras". Mais dinheiro para a educação pública A meta final do PNE determinava aumentar o investimento público na educação, para alcançar 7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro até 2019 e 10% até 2024. "No entanto, os resultados observados de relativa estagnação dos gastos em torno de 5% e 5,5% do PIB, com indicativo de pequena queda, apontam grande desafio para o atingimento das metas intermediária e final", diz o relatório do governo. Neste mês, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta de emenda constitucional do novo Fundeb, fundo que financia a educação básica. O texto aprovado prevê mudanças nos aportes públicos à educação que, segundo especialistas, podem aumentar o montante investido nas escolas e garantir que mais municípios pobres recebam recursos. A proposta, agora, tramita no Senado. O Plano Nacional de Educação tem muitas outras metas. Por exemplo, aumentar a oferta de escolas em tempo integral; melhorar a formação e equiparar o salário médio de professores da rede pública aos profissionais com o mesmo nível de escolaridade (em 2015, os docentes ganhavam apenas 52,5% do salário médio das pessoas com escolaridade semelhante); triplicar as matrículas na educação profissional e aumentá-las no ensino superior; entre outras. Muitas delas ainda permanecem distantes de seu cumprimento, e muitos especialistas da educação pedem mais protagonismo do MEC no esforço para alcançá-las. "Neste ano e meio (de governo Bolsonaro) infelizmente não vimos nada (em iniciativas) de implementação ou acompanhamento das metas do PNE", diz Altenfender, do Cenpec. Onde o Brasil avançou Alguns pontos em que o Brasil avançou, em contrapartida, são o aumento da nota média das crianças da 1ª à 5ª série (a nota média de 5,7, almejada para 2019, foi ultrapassada ainda em 2017), embora preocupe o fato de que, depois da quinta série, o desempenho dos alunos comece a cair. No ensino superior, o Brasil bateu a meta de ter mais de 75% dos professores de educação superior com cursos de mestrado ou doutorado e também já tem, desde 2017, mais de 60 mil pessoas com títulos de mestrado (outra meta do PNE). Outro avanço é que 98% das crianças brasileiras de 6 a 14 anos estão matriculadas no ensino fundamental — perto de universalizar o acesso, esperado para 2024. O problema é que esses 2% restantes fora da escola "são, na maioria, famílias mais pobres, negras, indígenas e com deficiência", exigindo políticas públicas específicas para garantir que elas de fato consigam estudar, diz o Observatório do PNE. Para Anna Helena Altenfelder, apesar dos enormes desafios restantes, é um erro achar o Plano Nacional de Educação "inexequível". "O plano não é uma utopia", diz ela. "Ele tem uma força grande pela forma como foi construído (aprovado pelo Legislativo), de modo participativo, e por ser um parâmetro de referência para secretários de Educação estaduais e municipais. Ele é a síntese das aspirações do Brasil para a educação." Por Paula Adamo Idoeta (BBC)

  • Ações de combate à Sífilis são retomadas em Rondônia

    Encontro definiu força tarefa visando o fornecimento de informações sobre os agravos HIV/AIDS; Hepatite e Sífilis Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 08:20 As ações estratégicas de combate à Sífilis foi pauta da reunião na Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa), realizada na manhã da sexta-feira (14), com a participação da equipe de saúde. O encontro marcou a retomada das atividades presenciais de prevenção e combate, que estavam paralisadas desde o início das medidas de enfrentamento à Covid-19, em março deste ano. Durante o encontro foi definida uma força tarefa visando o fornecimento de informações sobre os agravos HIV/AIDS; Hepatite e Sífilis, bem como ações de combate à Sífilis, para serem implementadas em Rondônia. “Serão redobradas as ações do projeto Sífilis Não”, explica Ivana Annely Cortez da Fonseca, enfermeira que atua como apoio no projeto, em Porto Velho. Dentre os temas discutidos foi apresentado o projeto Acadêmico Vigilante em Saúde e a inserção de acadêmicos de enfermagem para atuar tanto na Agevisa, quanto na Atenção Básica de Saúde. “Essa parceria permitirá o acompanhamento do processo de trabalho para manutenção de ações e planejamento. O objetivo é contribuir com a melhoria nos processos de trabalho”, detalha o diretor em exercício da Agevisa, Edilson Batista da Silva. O projeto Sífilis Não conta com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), representado por profissionais de saúde do município de Porto Velho. O projeto é viabilizado na Agevisa e na prefeitura de Porto Velho. Participaram da reunião, coordenadores de programas de doenças sexualmente transmissíveis como Hepatite, HIV/Aids, Sífilis, gerência epidemiológica e direção da Agevisa.. Por Mineia Capistrano

  • Prova teórica eletrônica acelera obtenção de CNH em Rondônia

    O sistema de prova eletrônica será implantado primeiramente em quatro municípios do estado Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 08:10 A prova teórica eletrônica para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), é apontada como uma grande vantagem e possibilita ao candidato ter acesso ao resultado logo após a realização do exame, caracterizando a modernização tecnológica. Com o intuito de agilizar todo o processo, o Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia (Detran) irá implantar o sistema em todo o Estado de forma gradativa, a partir do mês de setembro deste ano, sendo implantado nos municípios de Jaru, Presidente Médici, Pimenta Bueno e Rolim de Moura. O diretor geral do Detran Rondônia, coronel Neil Aldrin Faria Gonzaga, explica que o exame teórico é pré-requisito para que o candidato possa iniciar as aulas práticas de direção veicular. “O exame teórico de forma eletrônica, vai agilizar o processo, pois assim que finalizar a prova, o candidato poderá consultar o prontuário dele e saber se foi ou não aprovado. A prova física leva em média de 15 a 20 dias para sair o resultado”, afirma o coronel Gonzaga. O controlador Regional de Trânsito do Detran Rondônia, Francisco Carlos da Silva Nascimento, destaca o ganho da implantação do sistema de provas eletrônicas, principalmente para os donos de Centro de Formação de Condutores (CFCs), bem como para os candidatos, tendo em vista a praticidade e agilidade na aplicação das provas. “Hoje para aplicação das provas teóricas físicas nos municípios, a autarquia tem que publicar um calendário com bastante antecedência das provas teóricas nos municípios e temos que estipular uma margem de segurança para que a prova chegue ao local. Dependendo do município e os trâmites da Agência dos Correios, temos que enviar malote com as provas, uma semana de antecedência”, explica o controlador de trânsito. Os CFCs, têm que incluir os alunos na turma com uma semana de antecedência. O banco de dados fecha a turma, imprime as provas e encaminha por malote para a localidade e, após a aplicação das provas os gabaritos são enviados para o Detran em Porto Velho, o que demanda mais tempo. Conforme detalhado pelo Detran, quando os gabaritos retornam, os servidores do banco de dados fazem a correção, para só depois a nota ser lançada no prontuário do candidato. “Com a prova digital a auto escola poderá incluir o candidato, até meia hora antes de iniciar a prova, é uma praticidade e celeridade muito grande no processo”, afirmou o controlador. O diretor Técnico de Habilitação e Medicina, Hassan Mohamad Hijazi, disse que a prova eletrônica já existe nas cidades de Porto Velho, Ariquemes, Ouro Preto do Oeste, Ji-Paraná e Vilhena e que no próximo mês inicia a instalação do sistema nos municípios de Jaru, Presidente Médici, Pimenta Bueno e Rolim de Moura e assim sucessivamente conforme o planejamento. “Outra novidade implantada pela Diretoria Técnica de Habilitação e Controladoria Regional de Trânsito, também em setembro, é o reconhecimento biométrico do candidato pelo sistema eletrônico na hora da prova, diminuindo ainda mais a possibilidade de fraude”, destacando Hassan Hijazi ressaltando que os leitores biométricos são dotados de sistema antifraude com detector de dedo vivo (Live Finger Detection). O Detran também orienta aos Centros de Formação de Condutores dos municípios citados que iniciem simulados com o novo sistema digital, objetivando preparar seus candidatos para modernização adotada pelo órgão estadual de trânsito. O diretor geral do Detran Rondônia, coronel Neil Gonzaga, também aproveitou para ressaltar o desempenho da Coordenadoria de Tecnologia da Informação (CTI), que tem trabalhado para desenvolver e implantar novas tecnologias, visando maior segurança, praticidade e agilidade nos serviços oferecidos pelo órgão que está presente nos 52 municípios e em mais 12 distritos de Rondônia. Por Eleni Caetano

  • Coronavírus: A longa lista de possíveis sequelas da covid-19

    Enquanto vacina não vem, médicos tentam entender quais consequências o vírus pode trazer para aqueles que já entraram em contato com ele Revista Imagem - Publicado em 15/08/2020 08:00 Além dos pulmões, doença pode afetar coração, rins, intestino, sistema vascular e até o cérebro Sete meses depois do surgimento da covid-19, mais de 18 milhões já foram infectados pelo novo coronavírus no mundo e cerca de 11 milhões de pacientes são considerados recuperados. De um lado, a comunidade científica ainda busca uma vacina contra o Sars-CoV-2. De outro, médicos tentam entender quais consequências de médio e longo prazo o vírus pode trazer para aqueles que já entraram em contato com ele. Uma série de estudos divulgados nos últimos meses e a observação clínica dos profissionais que estão na linha de frente indicam as possíveis sequelas que a doença pode deixar — ainda que não seja possível dizer se elas são temporárias ou perenes. Já se sabe, por exemplo, que alguns sintomas podem persistir não apenas entre aqueles que tiveram casos mais graves da doença e que, além de danos nos pulmões, o Sars-CoV-2 pode afetar o coração, os rins, o intestino, o sistema vascular e até o cérebro. Respiração comprometida após a alta O pneumologista Gustavo Prado, do hospital Alemão Oswaldo Cruz, conta que tem recebido um volume expressivo de pacientes que tiveram quadros moderados de covid-19 e relatam, por exemplo, cansaço e falta de ar. Um dos primeiros estudos sobre a função pulmonar de pacientes que haviam acabado de receber alta na China indicava, em abril, que a redução da capacidade pulmonar era uma das principais consequências observadas mesmo entre aqueles que não chegaram a ficar em estado crítico. Publicado em abril no European Respiratory Journal, o trabalho ressaltava a ocorrência de fenômenos semelhantes em epidemias causadas por outros coronavírus, os da Sars e da Mers, em que as sequelas se estenderam por meses ou anos em alguns casos. Mais recentemente, um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) verificou que, entre 143 pacientes avaliados na Itália, apenas 12,6% haviam sido internados em uma UTI, mas 87,4% relatavam persistência de pelo menos um sintoma, entre eles fadiga e falta de ar, mais de dois meses depois de terem alta. "A gente tem visto mesmo uma latência para a recuperação plena dos pacientes que tiveram quadros moderados", afirma o pneumologista do Fleury João Salge. Muitos desses pacientes, ele conta, retornam às atividades do dia a dia, mas relatam cansaço e veem sua produtividade e qualidade de vida afetados. A eles, o médico tem recomendado que façam exercícios físicos, respeitando as limitações do momento, e que tentem pouco a pouco desafiar o organismo para recuperar o condicionamento. Mas ainda não se sabe por quanto tempo esses sintomas podem se estender. Nos casos mais graves, é possível que haja sequelas permanentes, como a fibrose pulmonar, uma doença crônica caracterizada pela formação de cicatrizes no tecido pulmonar. "A cicatriz preenche o espaço, mas não tem a mesma elasticidade, as mesmas características do tecido original", explica Prado. Assim, o pulmão expande menos, ou com maior dificuldade, com uma consequente perda de eficiência nas trocas gasosas. Com a redução da capacidade respiratória vem a falta de ar e o cansaço frequentes. A fibrose pode ser causada pela inflamação intensa e generalizada que o organismo provoca para tentar expulsar o vírus do corpo. Nesse caso, ela é consequência do processo de reparação natural do tecido danificado. Mas também pode ser resultado do próprio tratamento, quando o paciente é intubado, por exemplo. "Apesar de necessária na síndrome respiratória grave, a ventilação não adequada pode impor estresse sobre tecidos pulmonares — por uma distensão exagerada, pela manutenção de pressões altas no enchimento do pulmões ou pela oferta de oxigênio exagerada", exemplifica Prado. É a chamada lesão pulmonar induzida pela ventilação, ou VILI (acrônimo da expressão em inglês "ventilator-induced lung injury"), que pode evoluir para uma fibrose. Síndrome pós-UTI Longe de ser exclusividade da covid-19, esse tipo de lesão caracteriza diversas síndromes respiratórias mais graves. A particularidade, nesse caso, é o fato de que o intervalo de internação dos pacientes infectados pelo novo coronavírus costuma ser maior, o que aumenta a probabilidade de ocorrência desse tipo de sequela. "Eles ficam muito tempo intubados, traqueostomizados, em ECMO (sigla para "extracorporeal membrane oxygenation", ou oxigenação por membrana extracorporal, que consiste no uso de uma máquina que realiza a função do coração e pulmões e bombeia o sangue)", diz a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo. O período prolongado no hospital também eleva as chances de outro problema que acomete aqueles afetados por infecções graves: a síndrome pós-UTI. Os sintomas vão desde perda de força muscular, alterações da sensibilidade e da força motora por disfunção dos nervos até depressão, ansiedade, alterações cognitivas, prejuízo de memória e da capacidade de raciocínio. Os casos graves de covid-19 são a minoria, cerca de 5% do total. Diante de uma pandemia de grandes proporções, entretanto, um percentual pequeno pode significar números absolutos elevados. Entre cerca de 11 milhões de recuperados, por exemplo, os 5% se tornam 550 mil. Nesse sentido, Prado, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, chama atenção para o fato que parte desse grande contingente vai precisar de acompanhamento médico por algum tempo, seja no SUS ou na saúde privada. "E boa parte dos pacientes ainda pertence à população economicamente ativa. A gente precisa desmistificar um pouco essa ideia de que é só o idoso com comorbidade", acrescenta. 'Marco zero' Os pulmões são uma espécie de "marco zero" para o Sars-CoV-2. Uma vez que o vírus consegue atravessar nossa barreira imunológica e se instala no pulmão, ele segue fazendo estragos em outros órgãos. Um artigo publicado em abril na revista Science destacava que um possível sinalizador das regiões mais vulneráveis do corpo seria aquelas ricas em receptores chamados ECA2 (enzima conversora da angiotensina 2). Com a função de regular a pressão sanguínea, essas proteínas ficam na superfície da célula e são usadas como porta de entrada pelo vírus, que utiliza a estrutura celular para se reproduzir. Além dos pulmões (mais especificamente os alvéolos pulmonares), o ECA2 também é encontrado em órgãos como o coração, o intestino e os rins — que têm sofrido lesões importantes em pacientes em estado mais grave. "Por isso dizemos que a covid-19 é uma doença sistêmica, e não apenas respiratória", diz Dalcolmo, da Fiocruz. Os cientistas ainda investigam se esses danos são causados diretamente pelo vírus ou por fatores indiretos ligados à doença. Uma possibilidade, por exemplo, é que a "tempestade inflamatória" que o sistema imunológico gera para tentar combater o vírus, inundando o organismo de citocinas, acabe lesionando esses órgãos. Parte também pode ser uma consequência da própria infecção. Rins e coração Independentemente da causa, os cientistas procuram entender quais desses efeitos têm consequências de curto, médio ou longo prazo. Um estudo recente — com resultados preocupantes — realizado na Alemanha apontou que, entre 100 pacientes recuperados, 78% apresentaram algum tipo de anomalia no coração mais de dois meses após a alta. Boa parte (67%) tivera uma forma branda da doença e sequer havia sido hospitalizada. No caso dos rins, as evidências mostram uma incidência elevada de falência entre os casos mais graves de covid-19. Um amplo estudo com dados de pacientes internados em Nova York entre 1 de março e 5 de abril revelou que, dentre 5.449, mais de um terço, 1.993, desenvolveram insuficiência renal aguda. Cérebro A ocorrência de uma série de sintomas neurológicos que vão de confusão mental e dificuldade cognitiva a delírio também tem sido documentada entre pacientes com covid-19. No Brasil, uma força-tarefa do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (Inscer), vinculado à PUC-RS, investiga, entre outras frentes, quais sequelas podem ficar desses sintomas. O neurologista Jaderson Costa da Costa, que coordena o grupo, conta que, entre os casos mais graves atendidos pela equipe no Hospital São Lucas, em Porto Alegre, têm sido observadas convulsões, casos de síndrome de Guillain-Barré (que ataca o sistema nervoso e causa fraqueza muscular) e de encefalite, a inflamação do parênquima do encéfalo. Um estudo recente da University College London chamou atenção para um caso raro e grave de encefalite que tem acometido alguns pacientes com covid — a encefalomielite aguda disseminada. Sistema vascular Outra complicação neurológica que os médicos têm observado em pacientes com casos graves é a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC). Por alguma razão que os cientistas ainda desconhecem, o Sars-CoV-2 aumenta a tendência de coagulação do sangue. Tanto que um fragmento de proteína usado no diagnóstico de trombose, o dímero-D, virou um marcador de gravidade para pacientes com covid. "Quando ele está alto, é um sinal de possível evolução para um quadro mais grave", diz o pneumologista do Fleury João Salge. A coagulação desenfreada pode levar a um tromboembolismo venoso — o bloqueio de uma via sanguínea, que pode acabar causando AVC, embolia pulmonar ou a necrose de extremidades, levando à necessidade de amputação, o que também tem sido observado em pacientes com covid. "Essa dicotomia entre 'morreu' e 'sobreviveu' é errada", diz o pneumologista Gustavo Prado, chamando atenção para a necessidade de se discutir a reabilitação dos recuperados. Para ele, a ampla gama de possíveis sequelas deixadas pela covid-19 e a dimensão da população atingida deveriam transformar esse processo de recuperação em uma questão mais ampla, que envolvesse uma estratégia de saúde pública e assistência social e incluísse profissionais da saúde de diferentes frentes. Por Camilla Veras Mota (BBC)

  • Vilhena registra 41 novos casos de covid-19 e soma 2.098 casos confirmados

    Município soma 37 mortes pela doença, 31 delas de moradores da própria cidade Revista Imagem - Publicado em 14/08/2020 22:32 Vilhena registrou 41 novos casos de covid-19 nesta sexta-feira (14). Os dados são do boletim municipal sobre o coronavírus, da Secretaria de Saúde de Vilhena. O município soma 37 óbitos por covid-19, sendo 31 mortes de vilhenenses e 6 óbitos de moradores de outras cidades. Já o número de casos registrados chega ao total de 2.098 pessoas contaminadas pelo coronavírus, desde o primeiro diagnóstico há 131 dias (5 de abril). O município é o quarto do estado em número de casos confirmados da doença. Rondônia registrou até hoje 47,2 mil casos confirmados e 1.001 óbitos. A secretaria municipal de Saúde ainda investiga 184 casos suspeitos de contaminação. Entre os contaminados, 288 casos ainda estão ativos. Já 1.779 casos são considerados curados em Vilhena. Hoje a Central de Atendimento da Covid-19 tinha 11 pacientes internados, sendo 5 na UTI - 1 a mais que no dia anterior. A taxa de ocupação de leitos de UTI da Central da Covid-19 é de 50%. Por José Antonio Sant'Ana

  • Mais uma pessoa morre de covid-19 em Vilhena que registra 37 óbitos

    O município registrou 15 novos casos da doença nesta quinta-feira e total de casos vai para 2.057 Revista Imagem - Publicado em 13/08/2020 21:38 - Editado em 14/08/2020 19:46 Mais um paciente com covid-19 morreu por conta da doença em Vilhena, que registrou ainda 15 novos casos da doença nesta quinta-feira (13), sendo 3 por exame de RT-PCR, 3 por teste de anticorpos IgM/IgG (teste rápido), e 9 por vínculo epidemiológico (quando a pessoa tem sintomas e contato constante com outro infectado, mas não fez exame). Os dados são do boletim municipal sobre o coronavírus, da Secretaria de Saúde de Vilhena. O paciente que faleceu hoje tinha 80 anos, e morava no Residencial Alvorada. Ele estava internado na Central de Atendimento à Covid-19 desde a sexta-feira (7). No dia seguinte foi transferido para a UTI, sendo intubado nesta terça-feira (11). Ele apresentou piora no quadro de saúde vindo a óbito hoje. Vilhena soma 37 óbitos por covid-19, sendo 31 mortes de vilhenenses e 6 óbitos de moradores de outras cidades. Já o número de casos registrados chega ao total de 2.057 pessoas contaminadas pelo coronavírus, desde o primeiro diagnóstico há 130 dias (5 de abril). O município é o quarto do estado em número de casos confirmados da doença. Rondônia registrou até hoje 46,6 mil casos confirmados e 993 óbitos. A secretaria municipal de Saúde ainda investiga 143 casos suspeitos de contaminação. Entre os contaminados, 380 casos ainda estão ativos, o menor número desde o dia 30/07, quando 307 casos ativos eram contabilizados no município. Já 1.646 casos são considerados curados em Vilhena. Hoje a Central de Atendimento da Covid-19 tinha 14 pacientes internados, sendo 5 na UTI - 1 a mais que no dia anterior. A taxa de ocupação de leitos de UTI da Central da Covid-19 é de 50%. Por José Antonio Sant'Ana

  • Brasil registra mais de 50 mil novos casos e 1.060 mortes por covid-19

    Total de infecções chega a 3.275.520, e o de óbitos sobe para 106.523, segundo balanço oficial. Revista Imagem - Publicado em 14/08/2020 19:13 O Brasil registrou mais 50.644 casos confirmados de covid-19 e 1.060 mortes em 24 horas, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Ministério da Saúde divulgados nesta sexta-feira (14/08). O balanço eleva o total de infecções para 3.275.520 e o total de óbitos para 106.523. Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação. Ao todo, 2.384.302 pacientes se recuperaram da doença, e 784.695 estão em acompanhamento, segundo o Ministério da Saúde. O Conass não informa número de recuperados. São Paulo é o estado brasileiro mais atingido pela epidemia, com 686.122 casos e 26.613 mortes. O número de infectados no território paulista supera os registrados na maioria dos países, sendo menor apenas do que o contabilizado nos Estados Unidos (5,2 milhões), Índia (2,4 milhões) e Rússia (910 mil). A Bahia é o segundo estado brasileiro com maior número de casos, somando 210.993, e o sexto em número de mortos, com 4.271 vítimas. Já o Ceará tem 196.144 infecções e 8.123 óbitos, o que o coloca atrás do Rio de Janeiro (com 189.891 infecções e 14.507 óbitos) como o terceiro estado com mais mortes. Além de São Paulo, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro e do Distrito Federal, outros sete estados ultrapassaram a marca de 100 mil casos da doença. São eles: Pará, Minas Gerais, Maranhão, Santa Catarina, Amazonas, Pernambuco e Paraná. O Brasil é o segundo país do mundo com maior número de óbitos e casos de covid-19 oficialmente notificados. Só está atrás dos Estados Unidos, que registraram mais de 5,2 milhões de casos e mais de 168 mil mortes. Já a taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes chegou a 50,7. Nações europeias duramente atingidas pela doença, como o Reino Unido (70,37) e a Bélgica (86,81), ainda aparecem bem à frente, mas esses países começaram a registrar seus primeiros casos entre três e quatros semanas antes do Brasil, e o número de óbitos diários caiu nos últimos meses. O Brasil já está prestes a completar três meses sem um ministro da Saúde. O posto vem sendo ocupado interinamente desde 15 de maio pelo general Eduardo Pazuello, que não tinha experiência na área e indicou militares para quase todos os postos-chave do ministério. Na sua gestão, as mortes e novas notificações de casos dispararam no país. Foram mais de 90 mil novos óbitos registrados desde que a pasta passou a ser gerida por Pazuello e dezenas de militares. Na prática, o ministério, sob os militares, vem referendando sem questionamentos as diretrizes do presidente Jair Bolsonaro, que é contra medidas amplas de isolamento social e que promove a cloroquina como "cura" contra a covid-19, mesmo sem embasamento científico. Sob a intervenção pessoal de Bolsonaro e do Exército, o ministério também tentou esconder os números da pandemia no início de junho, mas voltou atrás após ordem do Supremo Tribunal Federal. Ao todo, mais de 761 mil pessoas morreram em decorrência do vírus no planeta. Depois de EUA e Brasil, os maiores números absolutos de mortes se concentram no México (55,2 mil), na Índia (48 mil), e no Reino Unido (46,7 mil). Por Deutsche Welle

  • Rondônia atinge a marca de 1.000 mortes por covid-19 em 147 dias de pandemia

    Estado registrou 612 novos casos da doença nesta quinta-feira e totaliza 47.288 pessoas infectadas Revista Imagem - Publicado em 14/08/2020 19:08 Mais 8 pessoas morreram por covid-19 em Rondônia, que registrou 612 novos casos da doença nesta sexta-feira (14). Os dados são do boletim epidemiológico sobre o novo coronavírus divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde de Rondônia (Sesau). No registro total o estado atingiu a marca de 1.001 mortes por covid-19 e 47.288 casos de coronavírus, desde o primeiro registro há 147 dias (20/3). Deste total, 39.366 pacientes (83,2%) já são considerados curados, segundo a secretaria estadual de Saúde. Os 8 óbitos registrados no estado foram: 4 em Ji-Paraná, 1 em Ariquemes, 1 em Buritis, 1 em Rolim de Moura e 1 em Porto Velho. Após investigação epidemiológica, a Sesau retirou 1 óbito da contagem de jaru, que foi assinalado hoje para Candeia do Jamari. Porto Velho foi o município que teve mais casos registrados pela Sesau nas últimas 24 horas (256 casos), seguido por Ariquemes (118). Veja abaixo a situação dos 10 municípios com mais casos registrados em Rondônia. Município casos mortes Porto Velho: 24.736 603 Ariquemes: 3.626 58 Guajará-Mirim: 2.534 77 Vilhena: 2.056 31 Ji-Paraná: 1.449 32 Jaru: 1.372 21 Cacoal: 1.224 19 Rolim de Moura: 1.070 13 Candeias: 1.064 21 São M. Guaporé: 798 13 Cone Sul Nesta quinta-feira, a Sesau registrou 16 novos casos nos municípios do Cone Sul. Foram 15 casos em Vilhena e 1 em Pimenteiras. De acordo com a Sesau, o Cone Sul totaliza 2.844 casos diagnosticados, sendo 2.077 pacientes considerados curados (73,4%). Individualmente, segundo o boletim estadual, os municípios têm: Vilhena: 2.056 casos Chupinguaia: 327 Cerejeiras: 149 Pimenteiras: 132 Colorado do Oeste: 90 Cabixi: 67 Corumbiara: 23 A Sesau não registrou nenhum novo óbito por covid-19 no Cone Sul. A região totaliza 48 óbitos pela doença: Vilhena: 31 óbitos Cerejeiras: 6 Pimenteiras: 4 Cabixi: 4 Corumbiara: 2 Chupinguaia: 1 Vale lembrar que todos os dados são da Sesau, e podem divergir com as informações das prefeituras. A Agevisa ressalta que os dados não são lidos e atualizados imediatamente pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), por isso há atraso (delay) no registro de casos que estão sendo acompanhados diariamente por equipes de saúde nos municípios. Por José Antonio SantAna

  • Ministério aprova novas tecnologias para combate à tuberculose no SUS

    Foram incorporados medicamentos e uma técnica de diagnóstico Revista Imagem - Publicado em 14/08/2020 18:39 O Ministério da Saúde aprovou novas tecnologias a serem incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de tuberculose: dois novos medicamentos e uma técnica de diagnóstico. A definição foi tomada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS em reunião nos dias 5 e 6 de agosto. Os dois medicamentos admitidos para os tratamentos foram a delamanida e a bedaquilina. Eles podem ser utilizados em situações em que pacientes apresentam resistência aos remédios empregados no método tradicional. No caso da delamanida, a Organização Mundial da Saúde indica que ela seja ministrada somente quando as demais alternativas não funcionaram. Já a bedaquilina é sugerida para quem possui resistência à rifampicinas, remédio bastante considerado mais ativo contra o bacilo TB. O método de diagnóstico avalizado foi a cultura e teste de sensibilidade a antimicrobianos em meio líquido automatizado. Segundo o Ministério da Saúde, isso ampliará as possibilidades de exame da doença no país. Por Jonas Valente

  • Fiocruz: há melhora na disponibilidade de leitos de UTI para covid-19

    Alguns estados continuam em situação de alerta máximo Revista Imagem - Publicado em 14/08/2020 18:14 O novo Boletim Observatório Covid-19, divulgado hoje (14) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), registrou melhoria na disponibilidade de leitos de UTI para tratamento de pacientes com a covid-19 no país como um todo. Apesar disso, alguns estados ainda se encontram em situação de alerta máximo. É o caso de Tocantins, de Santa Catarina, de Goiás e do Distrito Federal. Mato Grosso e Rio Grande do Sul também mostram níveis considerados preocupantes em relação às suas taxas de ocupação. Divulgado quinzenalmente pela Fiocruz, o boletim traça um panorama das duas últimas semanas epidemiológicas. O estudo divulgado nesta sexta-feira se refere às semanas compreendidas entre os dias 26 de julho e 1º de agosto e entre 2 e 8 de agosto. O coordenador do Programa de Computação Científica da Fiocruz e um dos responsáveis pela elaboração do boletim, Daniel Villela, disse que foi observada estabilidade em vários estados, mas essa estabilidade está em um nível alto que preocupa ainda, tanto em casos da covid-19, como dos casos mais graves de transmissão respiratória, que exigem hospitalização. Na questão de leitos, Villela disse que alguns estados mostram uma taxa de ocupação bastante alta. “Você não teria uma folga em número de leitos livres em hospitais se o número de casos aumentar, para você poder absorver a situação”, disse o pesquisador. Níveis críticos Em relação ao número de casos e de óbitos, o estudo aponta que a maior parte dos estados brasileiros manteve a pandemia em níveis ainda críticos nas duas últimas semanas epidemiológicas. Foi identificada leve tendência de queda no número de casos e óbitos por covid-19 em Rondônia, em Sergipe e no Rio de Janeiro. “É estabilidade, mas ainda está em um patamar alto”, disse Villela. Nas regiões Sul, especificamente no Paraná e em Santa Catarina, e Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul), a tendência foi de aumento de casos e de mortes em relação às duas semanas anteriores. “É o que [o boletim] está apontando”. Outro dado que preocupa, de acordo com o pesquisador, é a elevada taxa de letalidade registrada no Rio de Janeiro e em Pernambuco, o que pode sinalizar uma deficiência na realização de testagens, bem como gravidade dos casos da doença gerada pelo novo coronavírus. Villela explicou que a letalidade é uma conta que cobre o número de óbitos em relação ao número de casos. Para isso, ele sublinhou ser importante “de fato” aumentar a testagem para a confirmação dos casos, porque, se tiver uma baixa testagem, o denominador vai apontar um número subestimado que, por sua vez, pode subestimar a letalidade. Por Alana Gandra

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