Indígena e ex-vereador são presos por extração ilegal de madeira em reserva

Terra indígena em Chupinguaia foi um dos alvos da operação da PF para coibir extração e comercialização ilegais

Revista Imagem - 09/07/2020 07:33


VILHENA - A Polícia Federal deflagrou, na manhã da quarta-feira (8), a Operação Êxodo e a Operação Verde Brasil 2, todas com o propósito de combaterem esquemas criminosos de desmatamento até a comercialização de madeiras, crimes que ocorreram em terras indígenas.

Cerca de 90 policiais federais deram cumprimento a sete mandados de prisão temporária e 32 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela 3ª Vara da Justiça Federal em Porto Velho/RO. A deflagração da Operação Êxodo acontece em diversas cidades de Rondônia, incluindo Vilhena, Chupinguaia, Espigão do Oeste, Ji-Paraná, Cacoal, Colorado do Oeste e Pimenta.

Em paralelo, ocorre ação ostensiva conjunta, no bojo da Operação Verde Brasil 2, com participação da Polícia Federal, Polícia Militar de Rondônia, IBAMA e FUNAI, que realiza incursão na Terra Indígena Tubarão-Latundê para identificar as áreas destruídas pelos criminosos e alvo de desmatamento, assim como para dar cumprimento a mandado de prisão.

A investigação desenvolvida pela Polícia Federal, em Vilhena, visa desarticular organização criminosa dedicada à exploração ilegal de madeiras oriundas de Terras Indígenas, em especial da Terra Indígena Tubarão-Latundê, no município de Chupinguaia.

Ao longo dos trabalhos, foi verificada a prática reiterada de fraudes que buscavam dar aparência lícita aos produtos florestais explorados ilegalmente, realizando, além do desmatamento das áreas de preservação, diversos outros crimes como inserção de dados falsos em sistemas, falsidade ideológica, lavagem de capitais e organização criminosa.

Foram utilizadas empresas madeireiras, muitas delas constituídas por interpostas pessoas (“laranjas”), que utilizavam créditos falsos nos sistemas do IBAMA para realizar a comercialização dos produtos, buscando burlar o controle.

O dano ambiental apurado supera o valor de R$50 milhões, gerado a partir da retirada ilegal de madeiras nobres como Ipê, Peroba, Cerejeira, Jequitibá, Angelim e Sucupira, resultado do desmatamento de cerca de milhares de hectares de áreas da União. Só na TI Tubarão-Latundê, a PF comprovou cerca de 4 mil hectares de área desmatada.


Entre os presos estão um indígena da TI Tubarão-Latundê - acusado de autorizar a entrada e retirada de madeiras - e um ex-vereador de Chupinguaia - acusado de beneficiar a madeira retirada de forma ilegal da terra indígena. Já em Vilhena e Colorado, empresas e residências de supostos envolvidos no esquema foram alvo de busca e apreensão. Computadores, documentos e até dinheiro em espécie foram recolhidos durante as buscas.

Os presos, após interrogados na sede da Polícia Federal, serão encaminhados à presídios estaduais, onde permanecerão à disposição da Justiça Federal e responderão, na medida de sua participação, pelos crimes de organização criminosa, extração ilegal de madeira, falsidade ideológica, inserção de dados falsos e lavagem de capitais.

Além do combate à extração ilegal de madeira nas terras indígenas do sul do estado de Rondônia, as ações visam preservar as comunidades indígenas que ali vivem, que estão em risco de contágio relacionado ao COVID-19 pela atuação dos criminosos.

Por Revista Imagem | Fonte: Polícia Federal - Foto: Arquivo



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