Japonês visita Imagem e explica motivos do decreto de enfretamento à covid

"Sou contra intervenção do estado na vida das pessoas, mas tive que intervir", disse prefeito que pede ajuda da população para evitar lockdown.

Por Revista Imagem - 08/01/2021 14:50


Em visita à Revista Imagem na manhã desta sexta-feira (8), o prefeito Eduardo Japonês (PV), falou sobre o motivo que o levou a editar o novo decreto para enfrentamento à covid-19 em Vilhena. Contrário ao fechamento do comércio, Japonês que vinha sendo muito pressionado pelo Ministério Público e pelos números, teve que ceder. “Eu sou contra a intervenção do estado na vida das pessoas, contra o fechamento do comércio, mas precisei intervir, precisei tomar essa atitude por conta da altíssima taxa de ocupação dos leitos em Vilhena”, disse. Ontem, por exemplo, a taxa de ocupação na UTI de covid-19 estava em 86,6%.


As novas medidas de contenção à pandemia foram publicadas no Diário Oficial do Município na tarde da terça-feira (5), após reuniões do Comitê Gestor Municipal de Enfrentamento ao Coronavírus e também audiências virtuais com o Ministério Público, prefeitos e secretários de Saúde de toda a região.


Embora bastante criticadas por alguns segmentos empresariais, as medidas não foram tão rígidas e permite a continuidade do funcionamento da grande maioria das empresas, apenas com algumas restrições. Os seguimentos afetados de fato são os de bares e lanchonetes e o de eventos, que estão impedidos de funcionar.


Mas, apesar de ser contra o lockdown, o prefeito admite que o fechamento do comércio pode acontecer:

“Estamos vivendo uma situação gravíssima onde os leitos da UTI estão quase todos lotados e os da enfermaria estão 100% utilizados. Se as pessoas não se conscientizarem da gravidade do problema, corremos o risco de ter que fechar o comércio se atingirmos o limite de internações na UTI. É o que diz a Lei. Tenho que cumprir”.

Questionado sobre a demora em tomar medidas mais rigorosas, o prefeito de Vilhena voltou a enfatizar que é contra o fechamento do comércio e que por isso flexibilizou ao máximo as regras no município. “As pessoas precisam trabalhar, sobreviver e o lockdown não é o melhor caminho para enfrentar a pandemia, por isso faço de tudo para evitar o fechamento do comércio. Porém sofremos pressão de todos os lados, é uma situação muito difícil de administrar e eu tenho comprado muito briga para manter a cidade funcionando”, disse


Perguntamos então qual o melhor caminho para enfrentar a pandemia, e a resposta do prefeito foi: conscientização. “As pessoas precisam se conscientizar de que vivemos em um período de restrições, onde todo cuidado é pouco. Precisamos entender que todos tem que fazer a sua parte. Esse enfrentamento ao coronavírus não é uma questão apenas do prefeito, do governador e do presidente, é de todos. Não adianta só cobrar que o prefeito faça isso ou deixe de fazer aquilo, cada um precisa fazer o que cabe a ele fazer”, argumentou Japonês.



O prefeito de Vilhena disse que sua administração tem pautado nessa premissa de trazer o cidadão à responsabilidade, e reforçou a ideia de conscientização da população para o enfrentamento da pandemia. “Essa falta de responsabilidade, de conscientização é que tem enchido os leitos dos hospitais. Nesse sentido faço um alerta especial para que as famílias cuidem e protejam os idosos. Eles são as maiores vítimas da pandemia e da irresponsabilidade dos mais jovens”, alertou.


Imagem também perguntou ao prefeito se ele considera que a campanha política influenciou na segunda onda da covid-19. Ele foi enfático em negar. Segundo Eduardo, o mês de novembro foi o que menos teve casos registrados de covid-19, o que colocaria por terra a hipótese levantada, já que a campanha eleitoral em Vilhena terminou no dia 15 de novembro.


Ainda sobre a situação dos leitos de UTI para covid-19, Japonês disse que existia um convênio com o Estado que findou em novembro. Desde então o município tem tentado renovar o convênio, o que está sendo dificultado pelas imposições do governo de Rondônia, que quer que o município ceda 75% dos leitos para pacientes de todo o estado. “Estamos trabalhando nisso e esperamos ter um resultado positivo ainda na próxima semana. Estou conversando com o governador Marcos Rocha que é meu amigo para solucionarmos essa questão logo”, afirmou. A estimativa é inaugurar mais 40 leitos clínicos para pacientes com a covid-19.


Aproveitando o assunto, Imagem questionou o prefeito sobre a afirmação do vereador Samir Ali que disse recentemente que vai trabalhar para que o Estado assuma a administração do Hospital Regional:

“É o meu sonho, mas infelizmente não vai acontecer. Temos tentado isso, mas o governo de Rondônia não quer pegar, prefere ficar mandando umas migalhinhas do que assumir o Regional. Se isso acontece, e o município pudesse cuidar apenas da Atenção Básica e das UPAs seríamos uma Suíça em relação à saúde”.

Pra finalizar Eduardo Japonês recorreu aos números e reforçou seu apelo. “Gente, vamos nos cuidar, cada um fazendo sua parte para diminuir a contaminação para que não seja preciso fechar o comércio. A melhor estratégia para enfrentar a pandemia é a prevenção. Se proteja e torça para não precisar ser intubado pois as estatísticas mostram que a chance de sobreviver é de menos de 10%”, concluiu.

Por Revista Imagem - Texto: José Antonio Sant'Ana

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