Investigação feita em RO mira quadrilha de um dos maiores traficantes do país

Bilhete apreendido na cela do traficante em Porto Velho foi ponto de partida para investigação que apreendeu mais de R$ 350 milhões do bando

Revista Imagem - Publicado em 27/08/2020 09:25


A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (27) a Operação Pavo Real em cinco Estados e no Distrito Federal para desarticular o esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores do tráfico de drogas.


Os alvos são ligados ao narcotraficante sul-mato-grossense Jarvis Gimenes Pavão. Oito mandados de prisão estão sendo cumpridos em Mato Grosso do Sul – quatro de prisão preventiva e dois de prisão temporária em Ponta Porã, onde moram familiares do traficante, e dois mandados de prisão preventiva em Campo Grande.


Também estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e um de prisão domiciliar em Curitiba e São José dos Pinhais, no Paraná, quatro preventivas em Balneário Camboriú (SC), três preventivas e três domiciliares em Brasília (DF), seis prisões temporárias em Ribeirão Preto (SP) e uma prisão domiciliar no Rio de Janeiro.


Os alvos são ligados ao chamado “núcleo duro” da família de Jarvis Pavão, formado pela mãe dele, pelo padrasto, pelos irmãos e pelos filhos.


De acordo com a PF, o grupo formado por familiares e pessoas ligadas ao traficante movimentou R$ 300 milhões em imóveis, automóveis de luxo e empresas criadas para a lavagem dos valores ilícitos. A operação mira os líderes da quadrilha para desmantelar financeiramente a organização criminosa.


Além dos 21 mandados de prisão, estão sendo cumpridos 67 mandados de busca e apreensão em Rondônia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, expedidos pela 3ª Vara da Justiça Federal em Rondônia, especializada em crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Cinco pessoas investigadas tiveram as prisões convertidas em domiciliar por causa da idade avançada e por possuírem filhos menores.


Pavão


Mesmo atrás das grades há 11 anos, dos quais oito tendo regalias em presídios paraguaios e desde 2017 perambulando por penitenciárias federais brasileiras, o narcotraficante sul-mato-grossense Jarvis Gimenes Pavão continuava ativo no tráfico internacional de drogas.


Da cadeia, ele segue liderando a guerra contra grupos locais e facções criminosas pelo controle do crime organizado na fronteira entre Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã (MS), onde moram seus familiares.


Deportado do Paraguai em dezembro de 2017, Pavão já passou pelos presídios federais de Mossoró (RN) e Rondônia e atualmente está em Brasília.


Rondônia


As investigações contra Pavão foram iniciadas em fevereiro de 2019, pela Polícia Federal em Rondônia, com a finalidade de identificar a ocultação de bens e a movimentação de valores.


Tudo começou quando agentes federais de execução penal apreenderam na cela de Pavão, na Penitenciária Federal de Porto Velho, bilhetes redigidos de próprio punho, contendo anotações de diversos imóveis identificados apenas por siglas e codinomes, tanto no Brasil quanto no exterior.


Em junho de 2019, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da operação, com o cumprimento de mandados de busca em imóveis de alto padrão, alugados pelos familiares do interno, na cidade de Porto Velho, ocasião na qual ocorreu a apreensão de arma, munições e diversos documentos e equipamentos eletrônicos que reforçaram o esquema de lavagem de capitais. Os criminosos passaram a residir nos imóveis citados com o intuito de facilitar as visitas à Penitenciária Federal.


Mesmo sem a apreensão de qualquer substância entorpecente ao longo da investigação, a Justiça Federal determinou o bloqueio de mais de R$ 302 milhões, das contas de 96 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas, e a suspensão da atividade comercial de 22 empresas utilizadas, pela organização criminosa, para a movimentação dos valores ilícitos.


A Justiça Federal determinou, também, o sequestro específico de 17 veículos de luxo, com valores individuais de mercado superiores a R$ 100 mil cada, que, somados, alcançam um valor aproximado de R$ 2.3 milhões, além do sequestro de todos os veículos em nome/em uso pelos investigados.


Foram sequestrados, ainda, cerca de 50 imóveis que, segundo valores atuais de mercado, ultrapassam a quantia de R$ 50 milhões, além de dezenas de outros imóveis, registrados em nome de membros da organização criminosa, cujo valor patrimonial total será apurado após a deflagração.

Da Redação com informações da PF

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