SANEAMENTO Mais de 95% da população de Rondônia não tem coleta de es

Mais de 95% da população de Rondônia não tem coleta de esgoto


Nos últimos três anos, o Brasil reduziu os investimentos em saneamento básico em R$ 1,28 bilhão; principal entrave, segundo especialistas, está na falta de investimentos

Apenas quatro em cada 100 residências em


Rondônia (4,05%) estão ligadas a redes de coleta de esgoto. O número deixa o estado como pior colocado do país quando se observa a cobertura do serviço nas outras Unidades da Federação. No Pará e no Amapá, a taxa é menor que 7%. O Amazonas completa a lista dos estados da região em que mais de 90% da população não tem dejetos coletados.

Apesar de terem uma cobertura maior, Tocantins, Acre e Roraima ainda oferecem coleta de esgoto abaixo dos 70%, índice considerado satisfatório para o serviço. Os dados foram divulgados pelo Instituto Trata Brasil este mês e são referentes ao ano de 2017.

Segundo especialistas, a falta de investimentos em saneamento básico ainda é o principal problema a ser enfrentado. Na avaliação do professor de geografia urbana da Universidade Federal do Amazonas, Marcos Castro, o cenário crítico, comparável ao de países africanos, reforça a necessidade de abertura do setor para investimentos privados. Isso, segundo o especialista, pode representar um avanço significativo na qualidade dos serviços oferecidos à população.

“Em vista da precariedade do serviço e da incapacidade do poder público em arcar com essa demanda, a melhor solução seria abrir a concorrência de empresas. Nós temos que romper essa cultura de governança de improviso. É preciso investir mais em saneamento básico, em sistemas de drenagem e esgoto, já que é uma questão de saúde pública”, analisa.


Os números oficiais comprovam que a precariedade do setor tem reflexo na saúde de adultos e crianças brasileiras. Segundo o IBGE, entre 2016 e 2017, 1.935 dos 5.570 municípios (34,7%) registraram epidemias ou endemias ligadas à falta de saneamento básico, como casos de diarreia, leptospirose, cólera, malária e hepatite.

A evolução dos serviços, por outro lado, equivale à economia nos cofres públicos. Estimativa do Trata Brasil, com base em dados do IBGE, calcula que as despesas com internações por infecções gastrointestinais no SUS podem cair de R$ 95 milhões (2015) para R$ 72 milhões em 2035.

Para o presidente do Instituto Movimento Cidades Inteligentes, Luigi Longo, as parcerias público-privadas, conhecidas como PPPs, podem aperfeiçoar a qualidade do saneamento ofertado.

“Há parcerias público-pr ivadas por meio das quais a água ou a concessão dela é do setor público e, na mesma cidade, o esgoto é do setor privado. Isso ocorre porque o setor privado consegue tratar melhor o esgoto, enquanto a distribuição da água é do município ou do estado, por exemplo. O que eu entendo é que não existe a viabilidade total nem no setor público, nem no privado, mas a junção deles em um objetivo comum”, analisa Luigi.




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